Banaliza??o da ci?ncia
20 Sep, 2004 Família
Banaliza??o da ci?ncia
Ontem a Veja chegou l? em casa, como acontece todo domingo. Na capa, lindos bebezinhos e a chamada “Menino ou menina”. Fui ler a mat?ria e me assustei: mulheres que podem ter filhos naturalmente (e j? t?m pelo menos 2 ou 3) est?o se submetendo ? FIV para poderem escolher o sexo do beb?. Acreditam?
At? que ponto a ci?ncia vai continuar sendo banalizada dessa forma? At? quando o dinheiro vai ultrapassar o limite da ?tica ou do bom senso? Amor de m?e depende do sexo do beb?? Quantas mulheres sonham em ter um filho e sabem que nunca o ter?o, j? que n?o t?m dinheiro para pagar um tratamento t?o caro?
Todas essas perguntas ocuparam a minha cabe?a at? eu sentar na frente do computador e escrever a carta abaixo para a Revista Veja. Ficaria muito feliz se eles publicassem, mesmo que n?o fosse na ?ntegra:
“Para publica??o na Se??o Cartas da Revista Veja
Meu nome ? Michelle. Sou jornalista e tenho 28 anos. Li a mat?ria de capa da Veja dessa semana, que fala sobre a escolhe do sexo dos beb?s, e senti muita vontade de escrever e mostrar um outro lado que a reportagem somente mostra de relance.
Estou gr?vida de 5 meses, ap?s uma Fertiliza??o in vitro. No meu caso, ela veio junto com muito sofrimento, ang?stia e frustra??o, por saber que esse era o ?nico caminho a seguir para realizar o t?o esperado sonho de ter um filho. Felizmente, no nosso caso tivemos sorte e engravidei logo ap?s a primeira tentativa. Mas isso n?o significou que o processo foi f?cil. Al?m de toda a ansiedade e incerteza, foram mais de 45 inje??es de horm?nios em 20 dias. Ultras-sonografias transvaginais seriadas, acompanhadas do nervosismo ? espera do resultado. Todo o tratamento ? medido milimetricamente e um passo a mais ou a menos fora dos planos pode significar que tudo foi por ?gua abaixo. A mulher passa por um tratamento pesado, incluindo anestesia e procedimentos em centro cir?rgico para aspira??o dos ?vulos e implanta??o dos embri?es. Al?m dos R$ 12.000,00 gastos, entre m?dicos, anestesia, medicamentos. E nada disso ? pior do que os 14 dias ? espera de um resultado positivo, que em 60% dos casos n?o vem.
Por qual motivo estou escrevendo tudo isso? Para mostrar ?s pessoas que o sexo de um filho ? o de menos, quando voc? corre o risco de n?o ter nenhum. A banaliza??o desse tipo de tratamento me deixa muito triste e desesperan?osa sobre como o homem vem utilizando a tecnologia na ?rea da sa?de. Acho que nenhuma dessas mulheres citadas na mat?ria que se submeteu a um tratamento cruel desnecessariamente parou para pensar que, diferente delas, outras mulheres dependem disso para dar prosseguimento ? sua fam?lia e elas simplesmente t?m a chance de gerar um filho naturalmente.
Ser? que a ci?ncia precisa ser t?o banalizada? Ser? que o amor de uma m?e depende realmente do sexo de seu filho? A resposta ? simples: imagine-se sem eles, meninos ou meninas, e todos saber?o o real papel desses valiosos anos de pesquisa que, agrade?o eu todos os dias, me deram a chance de ter um filho! O Rafael est? chegando no final de janeiro. E meu amor estaria aqui esperando por ele de qualquer forma, fosse um menino ou uma menina!”







Mic,tenho 34 anos e fiz 3 ICSI sem sucesso.
Pretendo continuar tentando, pois não há nada no mundo que eu deseje mais.
Já sofri tanto que nem tenho palavras
para expressar a dor que é querer muito e não conseguir.
Bom, quero dizer que gostei muito do seu texto.
Traduz bem o que é passar por fivs e icsis.
Só quem fez é que consegue traduzir todos os medos e angustias que envolvem o tratamento.
Abraços
Eh Mic, esse eh o mundo nojento no qual vivemos.
Mic,
Acabei de ler a reportagem da Veja.
Fiquei chocada com a banalização da ciência, como vc bem disse.
O médico q vai fazer minha FIV (Dr.Franco Junior) deu um depoimento lá, dizendo q é contra a “sexagem social”. Achei perfeito esse termo q ele usou. Vc viu o absurdo de uma tal lá, dizendo q decidiu ter uma menina para tentar salvar o casamento???? O q é isso?????
espero q sua carta seja publicada, pois está perfeita, e acho q vc conseguiu traduzir o sentimento de muita gente com a matéria.
1 beijão,
Carla
É isso mesmo, meninas. Acho que cada uma aqui tem uma estória triste, ou no mínimo sofrida na busca da maternidade. E não acho que por isso devemos ser as revoltadas ou vingadoras, não é nada disso.
Eu só acho que as pessoas deviam dar mais valor ao que tem e pensar que problemas nessa vida já existem de sobra e ninguém precisa ficar procurando por eles.
Oi, Mic e outras amigas
Talvez a banalização não seja propriamente da Ciência - mas do ser humano, mesmo, das distorções que promove.
Ainda bem que tem gente “brigando” para ajudar; mas infelizmente à espera de que saiam leis, como a das células-tronco. Projeto mais uma vez adiado no Congresso. E que não escolherá nada para dar vida e saúde a pessoas desenganadas por N fatores.
Um beijo
Eliana
VóEl
pela enésima vez,
Oi, Mic
Faz muito tempo que não comento por aqui (e que vc não comenta por lá também), mas estou sempre, sempre te acompanhando.
Hoje mesmo escrevi sobre essa reportagem. Temos as mesmas idéias, mas eu escrevi sob um outro ponto de vista: o de quem ainda não chegou lá.
Acho que preferências todo mundo tem, mas poucos assumem. Lembro quando vc descobriu que é o Rafael que mora aí dentro da sua barriga e disse que se sentia atraída por coisas de menino. É normal. Já eu me sinto atraída por tudo o que é cor-de-rosa…rsrs Mas daí a escolher o sexo do bebê é uma ooouutra história.
Espero que a carta seja publicada. Está excelente.
Beijo e apareça!
Oi, Bianca
Eu tb nao deixo recadinhos ha um tempo, mas todo dia visito seu blog. Ja li também a sua opinião. Na verdade, eu sempre fui louca por uma menininha. Comecei a me sentir atraída por coisas de meninos depois que engravidei. Mas isso já era a minha intuição me avisando…
Mesmo que o meu segundo filho seja um menino também, vou continuar me sentindo feliz e realizada. Nessa loucura toda, o que importa é uma criança saudável!
Oi Mic,
Parabéns pelo texto, vc simplesmente traduziu os meus pensamentos, acho que muita gente concorda com vc. Acho que a ciência não pode ser banalizada desta forma.
Estou torcendo para a sua carta ser publicada.
Perfeito o que vc disse…..beijos