Maravilha ameaçada
12 Feb, 2007 Off topic, Opinião

No último dia 7, o Rio recebeu a visa da comitiva do New 7 Wonders, projeto que está rodando o mundo para estabelecer as novas maravilhas do mundo. Já são 21 finalistas no momento, e o Cristo Redentor está entre elas. Só quem já visitou a estátua e viu a cidade lá de cima pode entender o motivo da escolha. Uma vista estonteante, daquelas de dar um nó na nossa garganta. Visão em 360º da Baía de Guanabara, vários bairros e toda a geografia do Rio, repleta de montanhas. A votação acontece no site e o resultado sai dia 7 de julho.
Quando eu li essa notícia, foi inevitável ficar triste ao ver tanta beleza sendo dominada pelo pior que o ser humano pode ser. Eu não li praticamente nada do assunto e quis me manter o mais livre de detalhes possível. É claro que foi inevitável ouvir uma coisa daqui ou dali, já que a comoção é nacional. Mas a fraqueza me pegou em cheio quando eu soube da forma cruel e covarde com que o pequeno João foi morto. Troquei o canal quando apareceu no JN, mudei a página quando estava lendo o jornal, literalmente tapei os ouvidos quando as pessoas comentavam a respeito ao meu lado. Eu normalmente já sofro demais imaginando a dor dos outros. Nesse caso, acho que seria difícil me recuperar imaginando uma mãe passar pelo que passou. Então eu prefiro guardar minhas energias para rezar e pedir a Deus que lhe dê forças para seguir em frente.
Eu sempre fui uma pessoa otimista. Acho que essa é a minha marca pessoal. Também sou independente, gosto de saber que posso ir e vir a hora que eu quiser. Mas, a situação do Rio de Janeiro (e do resto do país) está começando a me fazer pensar duas vezes antes de sair de casa. Principalmente com meus filhos em suas cadeirinhas, no banco de trás do carro. Nenhuma mãe gosta de se sentir impotente quando o assunto é a saúde ou o bem estar de suas crianças. E, no momento, acho que mais ninguém nessa cidade tem qualquer controle sobre o que está acontecendo. Principalmente o governo e a polícia.
Hoje, trocando email com minhas amigas do Scrapblog, falamos sobre o assunto. E eu levantei a questão de que precisamos descruzar os braços e colocar a boca no mundo. É um dever nosso como cidadãos, não é? Mas confesso que não sei como começar. E a sensação de impotência só se agrava. Como fazer para que alguém nos ouça e intervenha na impunidade e falta de vergonha que impera nesse país? Como mobilizar os brasileiros e, de uma vez por toda, darmos um basta nessa situação de calamidade pública?
Muitos já acham o caminho sem volta e estão deixando pra trás suas histórias, família e raízes para tentar a vida no exterior, como é o caso da Ana Paula. O motivo é nobre, já que ela quer oferecer o melhor para a pequena Laurinha. Eu torço muito pra que ela seja feliz e consiga o que muitos que ficam no Brasil não podem: garantir a segurança de sua família. E fico pensando com os meus botões qual a melhor estratégia a seguir. Sim, estamos em meio a uma guerra civil. Salve-se quem puder.







Nem tenho o que comentar. Situação muito difícil, e essa onda já chega por aqui…
Lamentável!
Oi Mic,
Aqui em Curitiba, ou qualquer outra cidade do nosso Brasil a situação também já está chegando a um limite insuportável, a diferença é que o Rio está muito mais em evidência, principalmente esse ano com o Pan…
Eu também me sinto impotente vendo que o “matar ou morrer” está virando situação comum…O medo nos acompanha do momento que colocamos o pé na rua e aqui na minha rua até dentro de casa está difícil, três casas pertinho da minha já foram invadidas e a família ficou de refém…
Penso muito em dar uma vida saudável e boa para o Gui e tenho medo de chegar ao ponto de ter que abandonar o Brasil, pois apesar dos pesares, nenhum país tem as maravilhas que o nosso tem…Pena que os governantes, que são os que tem maiores poderes pra mudar tudo isso, não pensem da mesma forma…
Que comentário enooormeee!!!Desculpe!!!
Bjs, no Rafa e na Júlia que estão lindos demais!!!
Hoje será um dia de protesto mudo, peça de roupa preta, quem quizer. No Rio.
Amanhã [quarta] haverá missa na Candelária às 10 Hs, em nome do menino.
beijos e abraços
Eliana
Eu ainda estou nas tentativas pra me tornar mãe, mas já penso no futuro dos meus filhos e viver no RJ me deixa angustiada. Eu tb sou otimista, mas acho que nossa cidade não tem mais jeito, infelizmente. Só Deus mesmo!
Beijão.
Mic, acabei de escrever sobre isso no meu blog, PASSOU DO INSUPORTÁVEL.
Pois é, nós conseguimos nos acostumar com o insuportável, agora tá pior.
O que podemos fazer a respeito, eu tb não sei… mas ficar sentados só olhando, tb não acho a melhor maneira.
Já disse isso pra Carlinha e me coloco aqui tb à disposição para qualquer tipo de manifestação.
Não é possível que isso seja esquecido.
Precisamos refletir muito sobre a desigualdade social. Mas não é só isso… a volta de valores como honestidade, respeito e amor ao próximo é primordial.
E se possível (se não for pedir muito, Meu Deus) que diminua a competição. Que coisa mais ridícula, ficar o tempo inteiro pisando nos outros para se firmar. Será que não tem capacidade para chamar a atenção por seu próprio mérito? Precisa da “ajuda” alheia?
Lembrando da competição para a melhor mãe… rs… ô coisa ridícula!
Conte comigo!
Beijocas pra todos!
Cláu, sabe o que eu acho pior? A degradação do ser humano. Você tocou em um ponto importante. De que adianta leis e vontade política se o ser humano dá cada vez menos importância aos seus valores morais? A cada dia as pessoas olham pro seu umbigo e pensam menos no próximo. E isso a gente percebe nas pequenas coisas. Já viu a desocupada que aparece por aqui pra destilar seu veneno? Existe gente assim aos montes hoje em dia. E são pessoas como essa que tornam a vida humana cada vez mais banal. Lamentável…
Olá Mic!
Concordo com você…
Acho que está na hora de tomarmos uma atitude, mas sinceramente… qual? Também não sei! Do que sei, é que da forma como está, os punidos somos nós, que não podemos sair de casa, não podemos massacrar os criminosos (os direitos humanos não permitem) e ainda pagamos impostos que sustentam a “hospedagem” desses monstros na cadeia… isso quando ficam lá!
A princípio (e eu espero que possamos fazer muito mais do que isso), resta-nos pedir a Deus que ilumine o coração dessa família, e que Ele nos proteja para que não sejamos os próximos!
Bj
Filha,hj estou de preto.Mas muitas pessoas ficaram sem saber isso e ñ colocaram preto.A divulgação foi pouco e tardia.
E nem sabem pq muitos estão usando preto hj.
Nossas janelas deveriam estar de preto tbm.
Hj penso no Mundo que meus netos terão quando dultos.Já que o que eles estão tendo como crianças já eh assustador.
No meu tempo iamos p/ as ruas.Levei vcs comigo no DIRETAS JÁ,lembra?
E assim tbm foi,com estudantes e empregados nas ruas,na época da ditadura.
Muitos morreram por isso.Outros,hj mudaram de lado.
Ñ tinhamos a internete nas mãos,hj temos.
Amanhã,todos nós deveriamos parar e irmos p/ a igreja,solidários a dor,que ñ deixa de ser nossa.
Mas do POVO.
Acho que se nos juntarmos,e no dia de irmos as urnas,todos nós unidos,com um trabalho feito com bastante antecedencia,ñ votarmos,só justificarmos,seria um bom começo.Precisamos tirar essa corja que governa nosso País.
Mostrarmos que eles são nossos empregados,cobramos os salarios astronomicos que recebem de nós.
Trabalharmos pela redução desses salarios,pela entrega de carros,casas,empregados,geton e toda a mordomia que eles recebem p/ ñ fazerem nada.
Nós trabalhamos e ñ temos essas regalias,nossos empregados recebem bem,ñ trabalham e recebem regalias.
Tem algo errado ai.
O povo precisa voltar as ruas,voltar a cobrar pelo que paga,ler mais e manter uma lista atualizada de qual deputado e senador,ñ foi trabalhar,participou de falcaturas,ñ votou em coisas que eram realmente importantes p/ o Povo que paga seu salário.
Uma divulgação intensa e massificante durante o ano,com os dados sendo atualizados e o Povo informado.
Acho que podemos e devemos criar um grupo e trabalharmos com isso.
Pegarmos assinaturas e levarmos ao congresso com as mudanças que queremos em nosso País.
Será um trabalho de formiguinhas,mas como a fábula,teremos um inverno melhor e seguro.
A nossa “polícia” tbm precisa de uma limpesa geral,pois grande parte deles eh que mantem o trafico de drogas e vendem a armas aos facinoras,quando ñ são eles mesmos.
Precisamos entender que isso tudo ñ acaba,pq eh alimentado pelos que estão no poder e tem interesses que ñ acabe.
Precisamos nos unir,isso eh o básico.
Ñ tenho o conhecimento que vcs tem de internete,blogs e afins,mas tenho a vontade e a força de querer e fazer mudar,por mim,por vcs,meus filhos e pelos meus netos.
Fica aqui minha idéia.
Montemos um grupo que trabalhe e divulgue tudo que for possível de informações,usemos a net a nosso favor.
Ajudo mandando material p/ os que trabalharem na elaboração da divulgação.
Podemos ver como colocar isso em malas diretas.Eh fácil.
Vamos nos juntar a ongs que já tabalham por isso.Pegarmos a experiencia deles.
Vamos arregaçar as mangas e arrumar nossa casa.
O BRASIL.
Contem comigo.
Bjs em todos vcs.
Mãe,avó e brasileira acima de tudo.
Fátima Rôças
Mic,
Até me arrepiei com o comentário da sua mãe.
Sempre quis o melhor pra mim e minha família e quando escolhi o Rio para morar, foi pensando na maravilha de cidade que é, nas oportunidades, na facilidade de uma megalópole.
Mas engravidei e soube que com filho tudo seria diferente. Tive que vir por causa do emprego federal que é uma GRANDE coisa nesse país de incertezas, mas estou repensando o que compensa nessa vida.
Não quero criar a minha Bia presa dentro de casa, sem passear em parques, jardins, sem ver a luz do sol por conta de ingerências na polícia, no governo, etc.
Vou ser acima de mulher e profissional, mãe. Pois se Deus me deu essa missão, só me resta cumprí-la.
Vou voltar pra Salvador, e dormir em paz, sem ter medo de por meu bebê no banco de trás do carro.
Que Deus proteja a todos nós.
Cintia,estive em sua linda cidade em janeiro.
E infelizmente o que mais ouvia dos baianos que carinhosamente me receberam foi:
Segure sua bolsa,ñ deixe a bolsa na cadeira,ñ leve grande valor p/ a praia.
Via o BA TV e me assustava com o que via e comparava com o RJ TV.Tudo igual.
Estive tbm em BH inicio de fevereiro e mais uma vez foi o que ouvi dos amigos mineiros.
Cuidado,mantenha a bolsa junto ao corpo….e por ai em diante.
Lá,muitas casas tem cercas eletrificadas.Pode isso?
Ouvia o MG TV e mais uma vez,via e percebia que eh tudo igual.
O primeiro e único assalto que vi em meus 54 anos de vida foi em Vitória.
Isso eh geral,só que pelo Rio ser o nosso cartão postal,a cidade mais divulgada lá fora,ela recebe um foco maior da impressa.
Em Rondonia,eh terrível,pois são crimes hediondos.Veja nesse site que mando a colocação de sua capital,Porto Velho.Estive lá varias vezes e lá os crimes são hediondos
E olha que muitos nem lembram desse estado.
Nosso triste ranking:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2004/08/040730_vsaopaulodbdi.shtml
Por isso acho que ñ devemos fugir,devemos sim lutar pelo nosso País.
Bjks
Fátima Rôças
Olá MIc,
Vc não me conhece mas pode acreditar: sou sua fã!!! que família mais linda, parabéns pelo Rafinha e pela Juju… um beijo no seu coração.
Samanta
É amiga sempre me revoltou de ver varias pessoas que preferem deixar seus filhos de 3 anos soltos no banco de tras para facilitar a saida num assalto, eu que morei 9 anos fora sei que tinham alguns problemas la mas nunca precisei tirar um anel de brilhante do dedo pra andar na rua e andar com vidros fechados e ar ligado o tempo todo por segurança e claro que sofro muito pela rinite mas prefiro ter uma corisa eterna do que alguem pendurar na minha janela como ja aconteceu duas vezes me pedidndo celular e relogio etc. Realmente fico pensando como vai ser comigo com dois bebes no banco de tras meu esposo na India e sem contar que minha mae mora em Ramos algumas quadras do alemão, e ai vc se isola do mundo e nao ve mais sua familia. Acho que a maior culpa e nossa como cidadão, nos mudamos nosso esitlo de vida e fugimos pra outros paises e sempre que escolho os nomes dos meus bebes em ingles as pessoas reclamam mas se continuar assim tambem nao me vejo morando aqui pra sempre. Nos Estados Unidos quando a gasolina vai subir o pais inteiro boicota e nao vai aos postos, aqui o brasileiro faz fila nos postos ate meia noite para aproveitar o ultimo tanque mais barato, fomos doutrinados a aceitar tudo mas quando tratam uma criança como um animal temos que olhar nos unir e procurar uma forma de brigar, sera que um dia o povo brasileiro podia se unir e nao ir votar por exemplo acho que isso seria uma forma de mostrar que nao estamos mais satisfeitos, eu nao mas eu estou cansada me vejo longe de tudo e de todos porque quiz morar num condominio com seguranças armados assim podendo dar um ar de infancia aos meus filhos, vejo as crianças brincarem na “rua”do condominio soltar pipa e tudo isso foi tirado da nova geraçao que por exemplo mora em ramso ou na Tijuca ninguem mais brinca nas calçadas, eu ahco que nossa geraçao tem que mudar isso senao aonde nossos netos vao poder ir, provavelmente teremos que pagar pedagio a traficantes pra circular no bairro. E uma vergonha!
Mic,
Quando esse horror aconteceu, meu marido me ligou e falou: “Dani, por favor, não ligue a Tv, não veja o JN por nada, tô te pedindo, estou com lágrimas nos olhos e um nó na garganta, faça o que eu estou te pedindo”. E foi o que eu fiz! Fiquei muito angustiada, imaginando que mais alguma violência contra alguém acontecera. Rezei, pedi à Deus pelas minhas filhas, fiquei muito angustiada mesmo sem saber o que havia acontecido. No dia seguinte, minha mãe me ligou chorando, dizendo que fizeram uma crueldade sem tamanho com um menininho de 6 anos. Não deixei ela nem terminar, queria me polpar de saber o que estava acontecendo. Acabamos chorando juntas. Ontem minha mãe me ligou indignada, querendo saber o que poderíamos fazer para que o que aconteceu com o João não seja esquecido, e outros lares não sejam desfeitos. E ela falou: “Não devia ter carnaval. Um país sério, com pessoas sérias não deveria comemorar o carnaval, deveria ser solidário àquela mãe e ficar de luto também, porque não há motivo para alegria!. O que aconteceu com o espírito solidário das pessoas? Daqui a uma semana é carnaval e ninguém mais vai se lembrar do que aconteceu, meu Deus, em que mundo vivemos?” E a minha resposta foi que eu realmente não sei o que a gente pode fazer. Sabe Mic, eu não acredito que nós devamos deixar de usufruir do espaço público aterrorizados pelo medo. Assim agente só vai dar mais espaço para a violência. Acho que a gente deve se unir, como sugeriu a sua mãe e tentar mobilizar pessoas, porque a gente tem força e como está não dá pra aguentar. Estou sofrendo por ser tão impotente! E tenho certeza de que milhares de pessoas também estão. E como nós não sabem o que fazer. Chega de ver tudo isso e não fazer nada, vamos pensar em alguma coisa, antes que a violência entre na nossa casa, vamos nos ajudar! Pode contar comigo Mic! Bjs, Dani.
Oi Mic,
A morte desta criança de forma tão animalesca e covarde é muito revoltante. A violência cresce a cada dia em todos os cantos do país, não só nas grandes cidades. Também concordo q precisamos fazer alguma coisa urgente! A impunidade impera e nós estamos de braços cruzados.
Há 6 anos trabalho como professora voluntária num curso de alfabetização de adultos, pois sempre acreditei na educação como base de tudo e apesar deste trabalho ser maravilhoso, sinto q faço pouco.
Beijos,
Elaine - SP Capital
Mic,quem diria que eu pensaria 2 vezes antes de voltar para o Rio?? Já fiquei sabendo de vários casos em que os bandidos não deixam as mães tirarem os bebês das cadeirinhas.Quando estive aí,andei com a Luísa no banco de trás! Paulo Max está cada vez mais convencido de que vivemos melhor aqui,e com medo de tudo por aí tb.
lamentável a situação da mãe do João e da família toda dele.Deus que Dê muita força para a irmã dele que assistiu a tudo!!
Beijos
fabi
Fabi, te juro que eu voltaria pra Brasília se aí tivesse trabalho pra mim e pro Dani, sabia?
bjs
Mic, dediquei o último post só para falar sobre isso. É revoltante, é degradante, enfim, é triste. Sou a carioca mais carioca do mundo, amo a minha cidade, mas não troco meu Espírito Santo por nada. E olha que Vitória é considerada uma das capitais mais perigosas do país. Mesmo assim, aqui me sinto muito tranquila, me sinto segura. Todos os dias passeio com o Vini na praia, vejo meu guri correndo na areia, soltando pipa, brincando de bola, andando de motoquinha. Será que eu conseguiria fazer disso uma rotina em Copacabana? Acredito que só em um condomínio fechado…Não me arrependo da minha escolha, apesar de sentir um falta tremenda do meu Rio de Janeiro.
Beijos
Rê