Família completa

Ontem tava contando as horas pra sair do trabalho e correr pra casa pra ver o Rafinha. Que saudades daquele moleque! Ele estava em Niterói com a Bisa e a tia Dida desde sexta e ficou um silêncio inacreditável pela casa… É claro que eu aproveitei o tempinho frio pra dormir um pouco mais, dar atenção dobrada pra Juju e pro Dani. Mas no domingo já tava doida pro dia seguinte chegar e eu poder dar uns apertos naquelas bochechas!

É impressionante como tão pouco tempo é suficiente pra gente perceber a diferença no tamanho do menino. Eu reparei e o Dani depois veio fazer o mesmo comentário! Comida de casa de avó tem fermento? :c) Ao devolver a encomenda, tia Dida elogiou seu comportamento, dizendo que Rafa é uma criança que não dá trabalho, é educado e carinhoso. Esse é o meu garoto! rs

Durante a tarde, Rafa pediu algumas vezes pra Neuma me ligar porque queria falar comigo. Numa delas, pediu pra eu comprar o DVD do Nemo, desenho favorito a partir desse final de semana! :) Minha tia disse que ele grudou no vídeo da minha prima Clara e queria trazer de qualquer jeito. Eu prometi a ele que compraria e levaria pra casa. E a primeira coisa que ele fez quando toquei a campainha foi me cobrar. Duvidam?

Saí do trabalho, fui pra academia e de lá passei nas Americanas pra comprar o filme e uma caixinha de Kinder Ovo. Rafa tá na fase das surpresas. Qualquer bobagenzinha que a gente traga da rua é uma alegria só! Cheguei em casa e fui recebida por um menino bochechudo cheio de saudades e doido pra saber se eu tinha levado alguma coisa pra ele. Eu disse que tinha levado vários beijinhos e ele me abraçou. Distribuiu beijos e abraços, e eu tratei de aproveitar! Depois que apertei bem o filhote, dei o DVD do Nemo. Ele ficou que nem pinto no lixo! Pra completar, ainda manda uma pérola: “mamãe, foi você quem tocou a pacainha?”. Era campainha que ele queria dizer! ahahahaha

Deixei o moleque no quarto vendo o peixe laranja e fui tomar banho. Dei uns cinco minutos e lá vem o danado bater na porta do banheiro:

Rafa: Toc, toc, toc
Mic: – Oi, Rafinha, eu tô tomando banho!
Rafa: – Mamãe, eu te amoooooooooooooo!

Eu só não me derreti toda debaixo do chuveiro porque aqui tá um frio danado! eheheh

Rafinha tem aprendido a demonstrar os sentimentos, e eu acho isso lindo. Tento estimular ao máximo isso, falando “eu te amo” sempre, dando beijinhos, dizendo que tô com saudades. No início, ele não sabia muito bem como fazer. Agora, responde com um “eu também te amo”, ou então vem falar pra mim ou pro pai (e algumas vezes até pra irmã) assim, do nada. Quando vou dar boa noite, dou um beijo, digo pra ele sonhar com os anjinhos e digo que o amo. Ele responde que também me ama e completa: ” mamãe, quero falar eu te amo pro papai”. Lindo, né?

Os beijos também passaram a ser espontâneos. Além de me pedir, ele vem dar, agora um bem estalado. Antes, a gente pedia beijo e ele dava a bochecha. Dá abraço apertado, faz carinho quando a gente pede. E o mais engraçado é vê-lo distribuindo carinho até para os objetos: quando ele tá lendo um livro e começa a amassar ou usar mais força do que deveria, eu digo que livro a gente tem que tratar com carinho. Sabe o que ele faz? Começa a acariciar as folhas, como a gente faz com ele desde bebê, passando a mão no rostinho… Amor a gente também ensina!

Nove meses com Juju

Juju, mais um dia 30 chegou e você já pode comemorar a chegada dos seus nove meses. Agora, você já tem mais tempo de vida fora do barriga do que do lado de dentro… E ontem, pela primeira vez desde que você nasceu, desejei que você ainda estivesse aqui no barrigão. O motivo? O frio que faz nessa cidade, fora do comum, pegando a todos os cariocas, nem um pouquinho acostumados com as baixas temperaturas, totalmente de surpresa!

Na despedida dos seus oito meses, ficamos todos dentro de casa, debaixo do cobertor, enrolados em várias camadas de roupa. Você parecia um pãozinho, toda gorducha, em sua fantasia de esquimó. Ficou a coisa mais linda com a touquinha e as luvas que foram do seu irmão, as roupinhas quentes da prima Amanda e a louca combinação de cores. Mas você fica bonita de qualquer jeito, isso todos nós já sabemos!

A cada dia que passa, Júlia, eu fico mais feliz com o que o acaso decidiu pra mim, seu pai e seu irmão! Trazer você pra nossa vida, definitivamente, foi o maior presente que eu já recebi, junto com o seu irmão. Ter uma menina em casa é ouvir gritinhos em vez de choro, se derreter com suas gargalhadas rouquinhas, ficar babando com seu sorrisinho de lado, ver seus os olhos se apertarem quando demonstra alegria. Cuidar de você é como brincar de boneca, com sua coleção de laços de fitas, os vestidos, saias e sapatinhos, os brinquinhos… o perfume!

E, como já estamos percebendo, você vai ser uma menina danada! Quando quer alguma coisa, quer DE VERDADE. Já vem na nossa direção quando estamos comendo – igualzinho seu irmão faz – e escala a nossa perna tentando pegar o que temos no prato. Como segundo filho não tem frescura, esse fim de semana você experimentou a casquinha da minha pizza, o Danoninho do seu irmão, o pedaço de bolo de laranja. Pensa que recusou? Pelo contrário, abre a boca a chorar quando percebe que acabou…

Read the rest of this entry »

Ganhando na loteria

Alguns de vocês podem até pensar que essa é uma história de ficção. Mas, felizmente, não é! Tenho até foto pra provar que tudo o que vou contar agora não foi fruto da minha fértil imaginação. Testemunhas? Pelo menos umas dez! rs Além da minha mãe e a tia Dida, que souberam de todos os detalhes pelo celular minutos após o ocorrido… ;c) Depois de tanta espera, finalmente chegou a minha vez de participar do Pan. E não podia deixar de ser em uma partida de vôlei, certo? Ingressos comprados há mais de um mês, lá fomos eu, Dani, Ana, Bruno, Gisa, André, Polly, Lu e Antônio para o Maracanazinho. Enquanto esperávamos todos chegarem, ficamos na entrada principal do estádio, batendo papo e tirando fotos. Comprei no site da Vôlei Boutique uma réplica da camisa da Seleção de 90 especialmente para a ocasião, escrito Mic, e escolhi o número 9, justamente o número do Carlão. Estava tirando foto e explicando isso pro pessoal quando minha irmã grita: “Michelle, é o Carlão!”.

Quando eu fui virar pra ela pra fazer um “dãr”, achando que ela tava me zoando, dou de cara com quem?! Ele mesmo! O CARLÃO, parado na minha frente, rindo pra mim! ahahahah Sabe aquela coisa de novela, virando em câmera lenta, a gente sem acreditar no que está vendo, ficando sem reação?! Era eu! É claro que a minha cara de pau reinou e eu fui logo dar um abraço e um beijo nele! Duvidam? rs

Eu fiquei toda empolgada, falando pelos cotovelos, aí virei pra ele e falei

Mic: – Caraca, Carlão, eu sou tua fã!
Carlão: – Eu tô vendo!
Mic: Que sinistro, eu não tô acreditando. Isso é melhor do que encontrar com o Papai Noel!

(a filha dele e outras meninas que estavam junto começaram a rir e todo mundo que tava em volta)

Completei dizendo pra ele que desde 88, nas Olimpíadas de Seul, quando o Xandó se machucou e ele foi chamado pra seleção eu acompanho o trabalho dele, não perdia um jogo. Deve ser um reconhecimento e tanto você ouvir isso mais de 15 anos depois que parou de jogar, né?

Minha tagarelice foi cortada por um outro cara pedindo pra tirar uma foto com ele. Depois que atendeu ao pedido do fã, ele veio se despedir de mim, dizer que foi um prazer, blablabla. À essa altura, minha irmã (que devia ter feito jornalismo também, já que adora dar uma notícia em primeira mão) já estava no celular contando pra tia Dida. Em seguida liguei pra minha mãe pra contar. Só comigo essas coisas acontecem! Qual a chance disso acontecer em um lugar com 12 mil pessoas?! Eu fiquei que nem pinto no lixo o resto da noite…

A única coisa que praticamente estragou a noite foi a confusão com os ingressos. Quando fomos entrar, minha irmã, o André e a Gisa foram informados que a entrada deles era pra semi-final de 13h, e não pra do Brasil. Foi a maior confusão, uma galera do lado de fora com o mesmo problema de ingresso trocado, Gisa com a perna operada andando de um lado pro outro… No final das contas, ela e a Polly fizeram tanto escândalo que conseguiram entrar no final do primeiro set. Entre mortos e feridos salvaram-se todos!

O Maracanazinho estava praticamente lotado, o primeiro set foi bem disputado e deu calorzinho. Dani tava todo feliz do meu lado, já que nunca tinha assistido a um jogo de vôlei ao vivo. A gente gritou, pulou, xingou, dançou… e minha voz foi pras cucuias! Eu bati tanta palma que minha tendinite voltou a atacar no final da noite. rs Só quando recebi o SMS da minha irmã avisando que tinha conseguido entrar é que relaxei e comecei a curtir mesmo. O mais engraçado é que meu cunhado é tão grande e estava com uma toda camisa colorida do Shrek que foi moleza encontrá-los na torcida, no meio daquela galera toda! aahahahaha

Quando o jogo acabou, com a vitória de 3 x 0 para o Brasil e classificação para a final, fomos terminar a noite na casa da Gisa, tomando vinho e comendo pizza. Já passava da meia-noite. Duas canequinhas de vinho português e eu já estava rindo à toda e falando com a voz mole. Toda hora, do nada, começava a pular no meio da sala e gritar “Carlão, Carlão!”. Definitivamente eu tenho história pra contar…

Domingo vou à Cerimônia de Encerramento no Maracanã, levando a Clara e a minha avó.

I love my curves

Hoje faz exatamente um mês que comecei a malhar na Curves. Foi a saída que encontrei pra deixar de lado a desculpa da “falta de tempo” pra malhar e investir de vez na minha saúde. Vi algumas pessoas ao meu redor tomar sustos com doenças que apareceram “do nada” – e felizmente também se foram – e percebi que preciso me cuidar. Estou firme e forte na minha reeducação alimentar, tentando manter hábitos mais saudáveis. No topo dessa lista, certamente, está a atividade física.

Na Curves, malhamos 30 minutos por dia, três vezes na semana. Parece mágica, mas não é! Sempre que fico com preguiça, penso que é só meia hora e me mando pra academia. As metas são mensais. As avaliações também. E isso me estimula muito mais, porque o meu esforço é reconhecido a curto prazo. Pois bem, hoje foi dia da primeira avaliação. Minha meta era perder 20cm em medidas, 2% de percentual de gordura e 2kg. Cheguei quase lá: foram 15 cmEis o resultado, que agora vou passar a registrar em uma tabela todo mês:

My Curves
27/06
27/07
Busto – 93cm
Cintura – 76cm
Abdomem – 86cm
Quadril – 108cm
Coxa – 67cm
Braço- 29,5cm
Peso – 73,2kg
%Gordura – 32,3%

Busto – 90cm
Cintura – 74cm
Abdomem – 80cm
Quadril – 105cm
Coxa – 66,5cm
Braço – 29cm
Peso – 71,3kg
%Gordura – 30,8%

As pessoas que estavam no circuito na hora que terminei ficaram animadas, me deram os parabéns e isso me deu ainda mais vontade de continuar fazendo esse esforço. Tenho acordado mais cedo ainda, pra ir malhar antes do trabalho e das crianças acordarem, mas está valendo a pena. Sexta passada fui aproveitar a liqüidação da Enjoy, uma das minhas lojas preferidas, e a vendedora perguntou meu tamanho. Disse que a última calça que tinha comprado lá, há uns três meses, tinha sido tamanho 46 (ô coxão!). Imaginem a minha surpresa e alegria quando entrei em um modelinho skinny tamanho 42?! Quase pulei dentro da cabine da loja! rs

Já tive que apertar todas as minhas calças e saias uma vez e todas estão começando a ficar largas novamente. Isso dá uma satisfação danada! Junto, uma compulsão por roupas novas! :c)) Desde o início da dieta, quando fui na médica ortomolecular, já se foram 6,5kg. Ainda faltam 3kg!

Pra terminar o post, notícias da criançada:

Rafa, como sempre, sai soltando suas pérolas por aí. Ontem, já depois de marmanjo, ele resolveu cair da minha cama pela primeira vez na vida. É daquelas camas box, altonas, então sempre fiquei de olho, porque o tombo seria feio. Como o lugar virou trampolim do moleque, ontem ele já veio pedindo pra pular no meu quarto. E lá fomos nós… Uma hora, quando eu fingia ser o jacaré que tentava pegá-lo, ele foi mais rápido que meu reflexo, deu um passo pra trás e puft no chão. Bateu com o rosto. Foi um chororô danado, a boca sangrou, mas eu vi que tinha sido só um pequeno corte no lábio por dentro da boca. Passei água, ele se acalmou e veio pedir de novo pra pular. “Mas agora sem cair, mamãe”. rs

Na hora de dormir, ele foi tomar leite e reclamou que estava doendo. Eu peguei o Oncilon Oral pra passar no machucado. Ele, é claro, fez uma confusão danada pra passar o remédio. Foi quando rolou o diálogo:

Mic: – Rafinha, deixa a mamãe passar o remédio pra sarar o machucado?
Rafa: – Não, mamãe, não quelo!
Mic: Rafinha, deixa eu passar, senão vai ficar doendo!
Rafa: É CLARO que não, mamãe!

Tive que rir, fechar a pomada e deixar aquele pingo de gente que já se acha ver o Caillou em paz!

***

Hoje de manhã recebi uma ligação da Bombom Model´s, agência de modelo daquela ex-ajudante da Xuxa. Há uns três meses a Marsella me mandou um email, dizendo que eles estavam procurando bebês de cinco meses que já sentavam. Mandei umas fotos da Júlia e deixei rolar, sem grandes expectativas. Hoje, me liga uma pessoa, dizendo que tinha selecionado a branquela e mais algumas crianças para as Lojas Americanas escolherem o casting de um cartaz. Eles estão procurando bebês de oito meses. Já enviei a foto e agora vamos esperar o que vai rolar. Será que estamos acompanhando o crescimento da nova Giselle Bünchen – mais coxuda, é claro – do Brasil? rs

Em terra firme

Devido ao caos se instalou nos aeroportos e nas nuvens do Brasil, achei por bem manter os meus pés em terra firme. Ironicamente, agora é mais seguro dessa forma. Sempre imaginei o contrário. Não tem flanelinha, pivete no sinal jogando água no parabrisa pra ganhar uns trocados, batedor de carteira ou PM corrupto. A não ser que eles estivessem no mesmo avião que eu, algo improvável.

Minha viagem a Curitiba, infelizmente, foi cancelada. Mesmo sabendo que eu ia virar pingüim por lá, já estava fazendo meus contatos pra encontrar a Grazi e quem mais quisesse aparecer. Mas, não tem problema, é só um adiamento, e não um cancelamento! Na mesma linha, Salvador subiu no telhado. Vamos aguardar o que acontecerá daqui pra frente…

Mudando de assunto totalmente, ontem foi dia de artigo meu ser publicado no Desabafo de Mãe. Esse mês, falo do tempo – ou a falta dele, e proponho uma troca de “receitas” que facilitem o nosso dia-a-dia entre as leitoras. Quer participar? Clica aqui!

O bem e o mal

O bem

Uma amiga querida te liga de surpresa, dizendo que acabou de aterrissar na sua cidade e está pertinho do seu trabalho, livre pra almoçar com você. Na mesma hora, você passa uma escova no cabelo, um batom e desce feliz pra encontrá-la. Dividem uma saladinha, batem um papo delicioso por uma hora, matam as saudades. Fazem promessas de novos encontros. No final, ainda ligam para uma outra amiga, só pra dar aquela “invejinha boa”.

O mal

O descaso continua, a falta de respeito também. No lugar da caixa preta, pedaços de fuselagem queimados e retorcidos chegaram até os EUA, onde as gravações seriam ouvidas para tentar-se encontrar pistas das causas do acidente. Precisamos de mais provas de incompetência das autoridades brasileiras nesse triste episódio da TAM?

É por isso que conto com vocês para mais um “protesto”. A Simone me mandou a carta da Adi, mãe de Luís Fernando, morto no acidente da TAM, que está sendo publicada em alguns jornais. Como nosso presidente e algumas outras autoridades devem estar ocupados demais procurando desculpas para o que aconteceu, acho que podemos facilitar suas vidas enviando a mesma carta várias vezes para seus emails ou contatos de “Fale Conosco”, não acham? Se não dá pra lermos em voz alta para cada um deles, vamos usar o meio que possuímos: entupir suas caixas postais com a mesma mensagem. Quem sabe um dia eles decidem ler e se tocar que não estão agradando?

Segue a lista de emails. Basta dar Copiar/Colar na carta que estou publicando abaixo e enviar. Conto com vocês para passar adiante e pedir aos amigos que contribuam com essa corrente:

  • Palácio do Planalto

  • Fale com o Governo
  • Fale com o Presidente
  • Ministério do Turismo (Martha Suplicy)
  • ANAC
  • Infraero

    Querem imprimir a carta e colocar no correio?

    Presidência da República Federativa do Brasil
    Palácio do Planalto
    Praça dos 3 Poderes
    Brasília – DF / 70150-900

    CARTA DE UMA MÃE

    Aos governantes e à família brasileira,

    Perdi o meu único filho. Ninguém, a não ser outra mãe que tenha passado por semelhante tragédia, pode ter experimentado dor maior. Mesmo sem ter sido dada qualquer publicidade à missa que ontem oferecemos à alma de meu filho, Luís Fernando Soares Zacchini, mais de cem pessoas compareceram. Em todos os olhos havia lágrimas. Lágrimas sinceras de dor, de saudade, de empatia. Meus olhos refletiam todos os prantos derramados por ele, por mim, por seu filhinho, por sua esposa, por todos parentes e amigos. Por todos os sacrificados na catástrofe do Aeroporto de Congonhas.

    Há muito eu sabia que desastres aéreos iriam acontecer. Sabia que os vôos neste país não oferecem segurança no céu e na terra. Que no Brasil a voracidade de vender bilhetes aéreos superou o respeito à vida humana. A culpa é lançada sobre um número insuficiente de mal remunerados operadores aéreos ou sobre as condições das turbinas dos aviões. Um Governo alheio a vaias é responsável pelo desmonte de uma das mais respeitáveis e confiáveis empresas aéreas do mundo, a VARIG, em benefício da TAM, desde então, a principal provedora de bilhetes pagos pelo Governo. Que a opinião pública é desviada para supostos erros de bodes expiatórios, permitindo aos ambíguos incompetentes que nos governam continuarem sua ação impune. Que nossos aeroportos não têm condições de atender à crescente demanda de vôos cujo preço é o mais caro do mundo. Quando os usuário aguardam uma explicação, à falta de respeito ao cidadão juntam-se o escárnio e a cruel vulgaridade de uma ministra recomendando aos viajantes prejudicados que relaxem e gozem. Assuntos de alcova não condizentes com a reta postura moral e respeito exigidos no exercício de cargos públicos. Assessores do presidente deste país eximem-se da responsabilidade e do compromisso com a segurança de nosso povo exibindo gestos pornográficos. Gestos mais apropriados a bordéis do que a gabinetes presidenciais. Ao invés de se arrependerem de uma conduta chula, incompatível com a dignidade de um povo doce e amável como o brasileiro, ainda alardeiam indignação, único sentimento ao alcance dos indignos. Aqueles que deveriam comandar a responsabilidade pelo tráfego aéreo no Brasil nada fazem exceto conchavos. Aceitam as vantagens de um cargo sem sequer diferenciarem caixa preta de sucata. Tanto que oneraram e humilharam o país ao levar o material errado para ser examinado em Washington. Essas são as mesmas autoridades agraciadas com louvor e condecorações do Governo em nome do povo brasileiro, enquanto toda a nação, no auge de sofrimento, chorava a perda de seus filhos.

    Tudo isto eu sabia. A mim, bastava-me minha dor, bastava meu pranto, bastava o sofrimento dos que me amam, dos que amaram meu filho. Nenhum choro ou lamento iria aumentar ou minorar tanta tristeza. Dores iguais ou maiores que a minha, de outras mães, dos pais, filhos e amigos dos mortos necessitam de consolo. A solidariedade e amor ao próximo obrigam-nos a esquecer a própria dor.

    Não pensei, contudo, que teria de passar por mais um insulto: ouvir a falsidade de um presidente, sob a forma de ensaiadas e demagógicas palavras de conforto. Um texto certamente encomendado a um hábil redator, dirigido mais à opinião pública do que a nossos corações, ao nosso luto, às nossas vítimas. Palavras que soaram tão falsas quanto a forçada e patética tentativa que demonstrou ao simular uma lágrima. Não, francamente eu não merecia ter de me submeter a mais essa provação nem necessitava presenciar a estúpida cena: ver o chefe da nação sofismar um sofrimento que não compartilhava conosco.

    Senhores governantes: há dias vejo o mundo através de lágrimas amargas mas verdadeiras. Confundem-se com as lágrimas sinceras e puras de todos os corações amigos. Há dias, da forma mais dolorosa possível, aprendi o que é o verdadeiro amor. O amor humano, o Amor Divino. O amor é inefável, o amor é um sentimento despojado de interesse, não recorre a histriônicas atitudes políticas.

    Não jorra das bocas, flui do coração!
    E que Deus nos abençoe!
    Adi Maria Vasconcellos Soares
    Porto Alegre, 21 de julho de 2007.