Muito além da maternidade

Participar da II Conferência Nacional de Política para Mulheres foi um divisor de águas na minha vida. Sabe quando a gente abre os nossos horizontes e percebe que tem muito mais coisa acontecendo à nossa volta? Eu sempre tentei discutir assuntos relacionados à maternidade por aqui, transformar esse blog em um espaço que vai além do registro do nascimento e infância do Rafa e da Juju. Abrir a mente, ver outros pontos de vista, conhecer a diversidade que faz parte do nosso mundo. E, por mais que eu tenha contato diário com a discussão gênero/diversidade no meu trabalho, eu nunca tinha tido a oportunidade de ver de perto o que muitas mulheres, há décadas, vêm fazendo por todas nós.

Durante quatro dias, 3,5 mil mulheres estiveram reunidas em Brasília, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, avaliando o Plano Nacional de Políticas para Mulheres definido na I Conferência e discutindo as diretrizes da nova versão, que será implantada nos três últimos anos do Governo Lula. E aqui eu aproveito para abrir um parênteses e registrar que, no que diz respeito a esse assunto, esse governo deu passos largos e avançou de uma forma que nenhum outro havia feito. Mas vamos falar disso mais pra frente, só não queria que me jogassem pedras! ahahah

mic.jpgLogo na abertura do evento, na presença de vários ministros, do Lula e sua inseparável Marisa, as “companheiras” já receberam uma notícia que vai dar um empurrão e tanto nao combate à violência contra a mulher: a liberação de R$1 bi até 2010. E foi nessa hora que eu percebi que, naquele momento, ouvindo o presidente da república discursar e percebendo todo o movimento da platéia, eu estava vendo a história se construir. Vocês já pararam para pensar no caminho que muitas mulheres percorreram para que nós pudéssemos estar aqui hoje, tendo direito à livre expressão, discutindo a maternidade, trabalhando, escolhendo se queremos ou não ter filhos ou trabalhar fora?

Esse caminho ainda é muito longo - tem muita mulher que ainda sofre violência do marido, pais e irmãos,  não tem direito a escolher o que fazer com o próprio corpo, sofre discriminação no trabalho ou não possui as mesmas oportunidades que os homens - e é por isso que todas estavam reunidas ali. E foi por isso que parei pra pensar e me fiz uma pergunta que agora aproveito para fazer a vocês: o que nós estamos fazendo para contribuir? O quanto sabemos a respeito desse assunto que tanto nos afeta?

Confesso que, ao ver mães com seus filhos pendurados no colo, depois de viajar 20, 30 horas de ônibus para participar do evento, me senti na obrigação de estudar mais a respeito e provocar discussões sobre o tema aqui no blog. Às vezes nos pegamos discutindo assuntos como “ter ou não babá?”, “mãe melhor ou mãe pior?” e nos esquecemos do principal: como foi que chegamos até aqui e passamos a ter direito de escolha? Há menos de 40 anos isso era algo impossível para nós.

Ministra Nilcea Freire e euConversando com a Ceila, do Desabafo de Mãe, também tive mais uma porta aberta para levar o assunto adiante. E peço a vocês que participem, dêem a sua contribuição, mesmo que de forma simples, como trazendo uma notícia que tenha lido a respeito para comentarmos aqui. Que tal? Eu poderia ficar aqui por horas contando tudo o que vi nesse evento. Não posso falar muito mais a respeito, porque nem tenho conhecimento suficiente. Trabalho com pessoas que têm longo histórico nessa luta e tento aprender o máximo com elas. Acredito que muitas de vocês que passam por aqui têm muito a acrescentar nos comentários. Estou esperando!

Aproveito para terminar esse post sem início/meio/fim (são tantas idéias ao mesmo tempo aqui na minha cabeça…) com os pontos que mais me chamaram atenção e fotos da diversidade que pude registrar durante os dias que estive com a cabeça totalmente voltada para mim. Ou melhor, nós!

  • Amei “voltar” a ser jornalista, daquelas - sabe, Ju? - que corre de um lado pro outro com olhos e ouvidos atentos a tudo e prontas para o que der e vier. Entrevistei a Ministra Nilcéa Freire (aí em cima na foto comigo), e várias representantes de diferentes classes: índias, camponesas, negras, ciganas, idosas…
  • Ainda existe muita injustiça e preconceito em relação a mulheres. E isso se torna ainda pior quando é uma mulher negra, por exemplo. Lésbica e negra? Aí é que a coisa fica mais difícil ainda. Parei pra pensar como é difícil ser diferente, fazer as próprias escolhas e arcar com as conseqüências. Quero ensinar aos meus filhos que é bom haver diferenças e elas fazem parte da nossa vida.
  • Precisamos urgentemente deixar de ser tão preconceituosos e fazer pré-julgamentos. Eu me policio demais a respeito desse assunto e, depois da maternidade, passei a ser mais tolerante e evitar formar uma opinião depressa demais. A gente julga tão rápido, né? Tem sempre uma resposta pronta pra tudo. Eu faço muito isso ainda e pretendo acabar com esse hábito. O que é bom pra mim não é necessariamente bom para o outro. E vice-versa. Ponto final. Por que precisa ser tão difícil?
  • Vi nesses dias várias mulheres simples, algumas idosas, outras carregando bebês no colo ou nem sempre falando português corretamente. Em comum todas tinham o mesmo objetivo: exigir seus direitos na prática, sem ficar no blablabla. Quero aprender com elas.

diversidade.jpg

43 Comentarios »

Comment by Fernanda
2007-08-23 15:45:45

Nossa, PRIMEIRA!!!!
Ai Mic, Adorei o espírito desse post e quero e pretendo contribuir muito aqui, tá? Só não vai ser agora porque estoua ainda sonolenta da noite mal-dormida que tive por conta da enxaqueca e do estômago (Estou grávida de 11 semanas de GÊMEOS UNIVITELINOS), mas volto logo, tá? Um beijo mulher guerreira, adoro vc!!!

 
Comment by Elza
2007-08-23 15:45:59

Massa. temos muito a falar e refletir também. Dia desses me irritou tanto um cara no curso de renovação da habilitação falando sobre as mulheres que dirigem mal e que isso é normal e blablabla, que a mulher se preocupa com roupas, vestidos da outra, assuntos fúteis etc e todos rindo, como de fato fosse isso, e ele explicitava que os homens tão bonzinhos, acham as mulheres frívolas mas graciosas. Ai….

 
Comment by Fernanda
2007-08-23 15:47:24

Ah!!! esqueci de dizer, já tenho um pequeno de 2 anos e meio, Luiz Gustavo, meu gatão, imagina agora como foi meu dia até aqui!…Beijo

Comment by Mic
2007-08-23 15:50:58

Menina, quer dizer que você tá indo pro terceiro filho? Com gêmeos chegando? Depois eu que sou a guerreira! ahahahah

 
 
Comment by Tatiana
2007-08-23 15:53:37

É verdade Mic. Já tivemos muitas vitórias, mas ainda falta muita coisa! Fico feliz qdo leio notícias sobre manifestações femininas igual aquela das mulheres felipinas que amamentaram seus filhos em praça pública para chamar a atenção para a importância da amamentação!

Essa semana aqui em Brasília teve a Marcha das Margaridas, eram aproximadamente 10 mil trabalhadoras rurais reivindicando seus direitos! Fui “obrigada” a assistir a manifestação pq o trânsito literalmente parou para elas passarem! E foi uma bela manifestação!

Outra coisa que luto, a minha maneira, é que aqui no DF seja aprovada a lei que aumenta a licença maternidade para 6 meses.

Eu acho que se cada uma de nós fizermos um pouquinho, podemos ter grandes conquistas. Não precisa ser necessariamente algo concreto, mas só de levarmos informação sobre os nossos direitos para as pessoas que não têm acesso já estaremos dando um passinho para frente!

E é isso aí companheiras, a luta continua!!!!

Bjs.

 
Comment by Tatiana
2007-08-23 15:57:28

Ah, esqueci de te parabenizar pela iniciativa.

É debatendo, trocando idéias, que alcançaremos grandes conquistas!

CLAPS, CLAPS, CLAPS!

Parabéns.

 
Comment by Angélica Mendes
2007-08-23 15:58:59

Nossa MIC quando você escreve um post como esse eu fico refletindo sobre o pouco que eu faço para fazer a diferença e ter esta percepção da vida. Você simplestemente abre os nossos olhos para coisas que devido a correria do dia a dia deixamos de pensar. E eu também procuro ser mais tolerante e tentar não fazer pré-julgamentos acho que se pelo menos a gente tentar ser uma pessoa melhor já vale alguma coisa….

 
Comment by nanda
2007-08-23 16:05:10

Mic, você foi a trabalho nessa conferência?
Mulher, que ótimo momento para você aumentar ainda mais essa “rede” de conhecimentos. E, o melhor ainda, ajudar a divulgar tudo isso. Sou nova, tenho 22 anos, mas sou muito independente. Sempre busquei muito isso, não nasci em “berço de ouro” e desde muito cedo aprendi a me virar sozinha. Orgulho-me de trabalhar, estudar, ter minha “Piubinha” (minha Bis) e acho que ainda não vivenciei quase nada na vida. Também sou muito dessas de “ter o julgamento” na ponta da língua, a respeito de pré-opiniões, sabe?
Preciso aprender muito a me policiar, e estou colocando em prática mesmo. Temos tanto a aprender e caminhar, né??
Admiro você por caminhar por tantos espaços, viu!!
Continue fazendo desse blog esse canto de mil e uma informações ;c)

Comment by Mic
2007-08-24 10:03:29

Nanda, fui a trabalho, sim. E acho ótimo você começar a aprender a se virar cedo. Com sua idade eu já estava indo morar com o Dani, sabia? rs

bjs

Comment by nanda
2007-08-24 12:32:49

ahahaha, que legal Mic!
;c)

(Comments wont nest below this level)
 
 
 
Comment by renata
2007-08-23 16:18:36

Lindas as fotos, Mic. E parabens por abordar um tema tão importante. Estou fazendo um curso, no qual participamos de uma lista de discussão em que a abordagem desse tema é recorrente.
Na verdade, a nossa discussão tem sido muito acerca de como chegar a um equilíbrio entre o feminismo social (que tantas conquistas nos proporcionou até hoje) e o feminismo espiritualm (que nossa cultura, hoje, despreza). Não sei se te interessa esse outro lado da moeda, vou te passar por email um dos textos qa respeito do assunto e, se vc tiver interesse, me fale.
Beijos

Comment by Mic
2007-08-24 10:09:41

Renata, recebi seu texto. Obrigada, tá? Vou ler com calma e depois te peço outros.

bjs

 
 
Comment by Sandra Machado
2007-08-23 16:22:12

Mic,
Estava ansiosa aguardando sobre a Conferência, muito bom saber que algo está sendo feito. Como você disse são pessoas muito diferentes mas que estão lutando pelo mesmo objetivo, porque eu imagino que as necessidades básicas são iguais para todas, independente de raça, condição financeira, etc.
Quanto a julgamentos, hoje mesmo estava conversando sobre o assunto, sou uma pessoa muito crítica e acabo julgando muito rápido, e sei que preciso melhorar isso.
Um super beijo.

 
Comment by Ana
2007-08-23 17:06:38

Mic, que bacana! Adorei as fotos da mulherada… eu nem comento nada, pq vc sabe que concordo com tudo que vc escreveu! Principalmente a parte da tolerância, do respeito a opinião alheia e do “cada um sabe o que é o melhor pra si”. Nota 10!

 
Comment by Juliana
2007-08-23 17:51:24

Mic, mesmo aqui do ladinho só fiquei sabendo desse evento por você… hoje a informação se espalha tão vertiginosamente que e gente é obrigada a manter um determinado foco pra não se perder nesse mar…. e com isso não me desculpo nem me eximo da minha responsabilidade como mulher e cidadã, mas me vejo acuada numa rotina - sim nós temos rotina - que me deixa muito pouco espaço para dar aquela parada essencial e “refazer os focos” - reavaliar conceitos e buscar mais coisas na vida… ai ai que divagação!
Admiro essas mulheres de luta, porque também elas tem a tal rotina e ainda assim dedicam seu pouco tempo livre para o coletivo… isso é ser um bom HUMANO, aspirar o bem geral, batalhar por todos e essa humanidade precisa crescer em mim…. valeu a reflexão amiga!!!!
Adorei te ver!!!!!!!!!!!

 
Comment by Ká
2007-08-23 18:00:08

A gente sempre cresce um tanto cada vez que participa de eventos como esse não é?? Parabéns Mic… por tudo que vc tem feito nesse seu cantinho tão especial! É maravilhoso saber que as pessoas abrem suas mentes a cada dia pra tudo que acontece ao nosso redor…
e acredite: realmente não é fácil ser diferente… e quando a diferença nem de longe é uma escolha, o sofrimento vem carregado de tantas outras coisas, como “devo abrir mão do meu sonho de ser mãe por causa disso?”…
Nota 1000 tudo que vc escreveu!!!! beijos e ótima noite! :D

 
Comment by Sabrina
2007-08-23 18:27:00

Mic,

Sumi, eu sei!!!mas apesar de não estar comentando frequentemente pode ter certeza que não desgrudo um minuto desse cantinho aconchegante que você criou!!
A JUJU está linda e o RAFA então nem se fala, muito esperto!!!!INCRÍVEL.
Estou na facu, então meu tempo está bem pequeno´. Minha filha acabou de completar dois aninhos e estão sendo várias novidades ao mesmo tempo.
Viu eu não esqueci oque prometi para a festa de 01 aninho da JUJU, mas amanhã com mais tempo eu te passo um e-mail pra combinar algumas coisinhas.
Adorei ver que você está feliz e que as crianças também!!!

Beijos querida e tudo de bom pra vocês!!!

Sabrina e Julinha.

 
Comment by tathy de bsb
2007-08-23 18:44:21

Oi Mic, quando vc veio aqui nem falamos sobre a Conferência…mas sabe o que me veio a cabeça agora? O que nós mulheres estamos fazendo com a nossa feminilidade?
Em um mundo tão masculinizado como o nosso, as mulheres buscando cada vez mais o “seu lugar ao sol” vejo que nos perdemos e estamos fazendo tudo igual a aquilo que repudiamos durante séculos. Percebo cada vez mais mulheres com atitudes e pensamentos masculinos: dirigindo, bebendo, comendo, buscando seus parceiros sexuais, trabalhando, etc…. como HOMENS!!!!

Acho que em algum lugar, nos perdemos no meio do caminho, quando éramos (e ainda somos em algumas situações e culturas)excluídas. Mas será que realmente precisamos “tomar” o lugar dos homens pra sermos felizes???

Bjsssssss e adorei esse post!!!!

 
Comment by Elianinha
2007-08-23 19:26:49

Mic:
Concordo com que a Thaty disse: estamos trabalhando como homens, e , como muitas vezes estamos sozinhas em uma equipe de homens. Como é difícil para eles aceitarem nossas idéias!O que vale mesmo, são as questões que você levantou e rever o quanto temos feito, discutido, etc. Beijos do coração! Ah, vem mesmo dia 7?

 
2007-08-23 19:49:28

Que maravilha Mic, tenho certeza de que esse congresso só veio somar as coisas boas que você já anda fazendo por ai. A considero uma mulher bastante inteligente.
Tem muito assunto que podemos debater, e como tem.
Eu mesma já sofri discriminação por ter sido “mãe solteira de coração”, por ter adotado Luanna sózinha. Faria tudo de novo e sei que alguém bem antes de mim teve a coragem de conseguir isso na justiça, fazendo com que outras tantas mulheres solteiras pudessem adotar também.
Obrigada por ter ido conferir esse congresso por todas nós.
Beijos

 
Comment by Roberta
2007-08-23 21:37:44

Que experiência rica, Mic!!!
Pelas fotos da pra sacar a diversidade!!! Agora é aos poucos vc ir passando aqui no seu espaço as sensações que ficaram desse encontro e ir semeando essas sementinhas!!! Os papéis na sociedade estão realmente confusos. Precisamos fazer diferente e essa tarefa está em nossas mãos, quando educamos nossos filhos!!! Trabalho árduo, mas que valerá o sacrifício!!!
Bjks e sucesso!!!

 
Comment by Alessandra
2007-08-24 08:18:08

Realmente precisamos questionar, e mais trocar muitas idéias assim poderemos fazer a diferença e acrescentar, as piores barreiras já forma quebradas e custou muito, agora tudo caminha com mais facilidade então vamos lá…
sem hipocrisia e com muita garra. Por que UNIDAS VENCEREMOS!!!

 
Comment by Alessandra Fiorini
2007-08-24 10:39:40

Mic,
Acho que atitudes urgentes devem ser tomadas em escala maior, não somente relacionadas à mulher. Explico: aqui em SP temos a “Delegacia da Mulher” (não sei se é extensiva à todo país), criada com muito alarde e sempre manchete nos jornais como um porto seguro para a mulher vítima de violência.
Porém, na prática, ela não funciona, pois está atrelada à toda burocracia, incompetência e corrupção do judiciário e dos políticos. Então é algo maior. Senti isso na prática por 3 ocasiões diferentes, todas relacionadas à minha empregada doméstica, a Cida, minha companheirona por quase 10 anos. Seu marido é alcoólatra, violentíssimo. Quando moravam juntos, batia nos filhos (são 4), com requintes de crueldade e tentativas de assassinato (estrangulamento era seu preferido). Ela o colocou para fora de casa, e o negócio piorou: ele começou a ameaçá-la e não perdia a oportunidade da violência física.
Denúncias na Delegacia da Mulher, não eram averiguadas.
A primeira vez, disseram que não podiam fazer nada pois ele “ainda não havia feito nada”.
Na segunda, ele tentou estrangulá-la, estava armado, ela se trancou em casa com a menina de 9 anos e o menino de 12, ele ao lado de fora gritando e ameaçando, eu ligava para a polícia, a irmã dela ligava, a viatura chegou 1 hora depois e mandou o sujeito “lavar a cara para acordar”, não o prenderam, nada. Após nova queixa na Del. Mulher, somente ela foi chamada 2 meses depois (para ouvi-la). Ficou por isso.
Na terceira, não havia ninguém em casa, ele quebrou a janela, jogou uma garrafa com álcool e colocou fogo na casa. Perderam tudo. Nada, até hoje, pois foi chamada a perícia e esperam o resultado, isso já faz uns 6 meses.
A situação melhorou pois um pastor vizinho o levou para uma clínica de reabilitação mantida pela igreja dele. Mas cada vez que ele sai de lá (foge), liga em casa, faz ameaças à ela, é um filme de horror.
Resumo…
acho que sempre é tudo válido, tudo é bonito, tudo inebria como vc ficou encantada… mas na prática a história é bem outra. A liberação de verba anunciada, será cumprida? E mesmo que seja liberada, quanto efetivamente chegará ao destino final? Quanto não se perderá no caminho da corrupção?
De minha parte, o que faço? O que ensino? O que participo? Como dou meu exemplo? Cada uma de nós, aqui, não faz pouco… acredito que temos ótimos exemplos de mulheres realmente ativas, começando pela dona do blog. Acho que estamos no caminho certo, mas muita coisa na base desta pirâmide ainda precisa ser mudada, até chegarmos lá.
Desculpe pelo desencantamento…
bjs
Ale.

Comment by Mic
2007-08-24 14:44:29

Calma, Alê, vamos por partes… rs Queria registrar que o meu encantamento é com a mobilização e a luta dessas mulheres que conheci de perto na conferência. Em momento algum eu disse aqui que tudo é um paraíso e estamos exatamente onde queríamos. Falei inclusive que ainda existe muita mulher apanhando de pais e maridos, sofrendo violência e não tendo a quem recorrer. Longe de mim querer fazer do blog palanque pra esse ou aquele presidente, até porque eu não sou tão politizada quanto gostaria. Não sei se você conhece a Lei Maria da Penha, que foi assinada ano passado, transformando a violência contra a mulher em crime, conhece? Até um ano atrás marido que batia na mulher se “redimia” com cestas básicas ou trabalho social. Agora é crime. Resolveu o problema? É claro que não. Mas já foi um avança em relação ao que era antes. A Maria de Penha, que deu o nome à lei, é uma mulher que ficou tetraplégica depois de apanhar do marido. Ela estava lá, de cadeira de rodas, lutando para que a lei seja cumprida. Um dos assuntos mais discutidos é justamente o treinamento dos policiais que trabalham nas delegacias de mulheres, o conhecimento dessa nova lei e, principalmente, sua aplicação. Se você pesquisar sobre ela, vai ver que em muitos estados - no NE, principalmente - a violência já reduziu, apesar de ainda não estar no nível que queremos, que é muito perto do zero. É normal a gente se desencantar vivendo em um país onde tudo acaba em pizza. Mas também é importante a gente ficar de olhos abertos pra perceber o que está sendo feito de bom e como podemos potencializar isso. Esse primeiro passo muitas mulheres já estão dando. Agora o que precisamos é encontrar formas de nos unirmos à elas!

bjs

Comment by Alessandra Fiorini
2007-08-24 15:41:23

Uma das formas de nos unirmos à elas é justamente isso que vc está fazendo, usando seu blog para “botar fogo” em suas leitoras… isso já é por si um início de mobilização. Quando iniciamos uma discussão sobre este tema, tendo tantos comentários, e mesmo agora, vc citando esta lei que eu não conhecia, já é uma semente para todas podermos lutar mais. Por exemplo, vou chegar hoje em casa e falar: “Cida, vc conehce a Lei Maria da Penha? da próxima vez que vc for à Delegacia, exija que seja cumprida”.
Ótimo, não?
Esta discussão foi um belo começo e, sem querer querendo, vc já ajudou uma pessoa chamada Maria Aparecida Soares dos Santos, que trabalha feito louca, com marca-passo, 4 filhos e sofre violência do ex-marido. Obrigada em nome todas as Cidas do Brasil.
Bjs
Ale.

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Comment by Mic
2007-08-24 16:15:46

Ô, Alê, sério isso? Ganhei meu dia! Diz pra Cida que tem um monte de outras mulheres torcendo por ela e, mais do que isso, pedindo que ela seja forte e lute pelos direitos dela. Não só por ela, mas por todas nós! E vamos continuar nossa discussão. Vou postar sobre outro assunto agora, mas quero todo mundo por aqui ainda, hein?

 
 
 
 
Comment by Andrea Araujo
2007-08-24 10:57:44

Mic , vc tem toda razão e nos vamos ganhar com isso , um espaço para discutirmos o dia a dia e uma mulher , suas conquistas , suas batalhas… eu como moro numa cidade altamente turistica , mais negros do que brancos , vejo muita desigualdade , com o turismo sexual, meninas que trocam a adolescência , a brincadeira da infância , por um “trabalho” utilizando seu corpo, sujeitas a muita violência.Mães que dão duro , vendendo acarajé para sustentar a familia , muita mãe solteira na luta , muita mulher que sofre na mão da familia (marido). Estamos aí , vamos pensar no que pode ser feito, não é mesmo ? é bom que o governo já nos veja com outro olhar e nos dê devido valor nesta sociedade. abraços. e adorei tdas as fotos !!

 
Comment by Bianca
2007-08-24 11:42:35

Oi, Mic! Parabéns pelo post, me emocionei com o texto e tb com as fotos! Bj pra vc!

 
Comment by Cíntia Levita
2007-08-24 11:55:01

Cada vez mais me orgulho de te conhecer e me considerar sua “amiga”, Mic. As mulheres de hj têm mesmo que andar sempre pra frente, respeitando tudo e todos! Eu até me arrepio qdo penso na geração que estamos criando. Vou estar de lá da minha estrelinha batendo palmas pra nossos pimpolhos! O mundo da Juju e da Bia vai ser muito mais fácil e justo (espero!)
Beijos, querida!

 
Comment by Ema Lúcia _ Eminha
2007-08-24 12:12:24

Pois é, Mic, essa divesidade é mesmo muito interessante para aprendermos sobre os diversos caminhos q existem no mundo e conhecer novas experiencias.
Até hoje eu fico chocada como existem homens em pleno seculo XXI e sao como esses q a Alessandra Fiorini descreveu, e como existem! Conheço um q diz q lugar de mulher é na cozinha, no tanque e na cama! Ele nao deixa a mulher trabalhar e pra piorar(será q é pior?) ja tem 3 filhos e ja fez ela abortar 2, era pra serem 5. Tudo é um absurdo! Lamento q a mulher que foi minha babá tem q se sujeitar a um homem q vive bebado, ofendendo a ela, e ao filho dela (não é dele, qndo casou com ela ja tinha o Diogo, hj com 21 anos) e qndo bebe, fica valentao, a Tonha se defende, estapiando ele (faz bem!)
Mas o q vale a tal “Delegacia da Mulher”? Para nos defender? Ou para nos acusar?
Espero q no futuro “proximo” as mulheres (ja entao assim!) Julia (a sua) e Beatriz (da Cíntia) estejam mais a frente q as nossas. E q sejam muito felizes!
Um grande beijo!
Eminha

Comment by Mic
2007-08-24 15:37:58

Eminha, a gente não pode esquecer de uma coisa: depende também das mulheres não se sujeitarem a isso! É claro que parece fácil falar, sei que tem casos que muitas nem têm pra onde correr - e é pra isso que muitas outras estão lutando. Mas cabe a nós sabermos o nosso lugar, o nosso poder e não abaixar a cabeça pra homem algum. Diretos e deveres iguais, certo? Eu ouço muita mulher por aí, da mesma classe social que a minha, dizer que não sai com as amigas porque o marido não deixa ou outras bobagens como “não trabalho fora porque meu marido tem condições de sustentar a casa sozinho e acha que vale mais me dar uma mesada do que ir pra rua todo dia”. Pode uma coisa dessas? A mulher não trabalha só pelo dinheiro. Trabalha pela sua autonomia.
bjs

Comment by Ema Lúcia _ Eminha
2007-08-25 04:25:46

Pois, é minha amiga, eu sei como sao esses homens q nao deixam a mulher trabalhar, meu tio (irmao do meu pai, Deus q me perdoe em falar de quem ja faleceu!) fez a esposa q tinha um bom emprego em uma estatal carioca (q agora eh uma empresa qse nacional) q tinha quse 15 anos, sair lá pq engravidou do meu primo, e a boba aceitou, quase mais 17 anos depois, ela teve q voltar a trabalhar, e graças a esse emprego ela conseguiu sustentar ele no fim da vida.
E pra piorar esse tio queria influenciar o irmao caçula (meu pai) fazer o mesmo com a minha mae, ahhh Amiga, mamae é nordestina, sangue quente, do Piaui (acho q vc sabe como sao as “meninas” de lá, risos) ela ja tinha 10 anos de empresa (funcionaria federal) quem disse q o “Portuga” pensou, q iria tirar ela de lá? E sabe, graças a esse emprego dela ele teve um final da vida melhor, pq conseguiu ser dependente dela no plano de saude (e sem custo addicional).
Eu vou seguir o conselho dela ” nunca diga seus proventos ao seu namorado-marido-etc, nunca peça a ele nem q seja 10 reais, pq ele pergunta pra q vc quer, e vc diz q é pra ficar linda pra ele, e ele despreza”
Com certeza ela trabalha pra sua anatomia.
Olha se eu era sua fã, agora vou montar o fa-clube da MIC, to adorando essa nossa reuniao. Alias to com saudade de te ver, ja fazem 3 meses desde q te vi. Qndo tiver um almoço por aí me avisa!
Beijaum!
Eminha

(Comments wont nest below this level)
 
 
 
Comment by Simone
2007-08-24 13:07:00

Oi Mic, muito bom seu post. Bela iniciativa.Somos sim formadoras de opiniões, temos poderes decisórios e responsabilidade igual ou até maior que os homens em vários aspectos, em casa, no trabalho, na escola, na sociedade.O que eu acho desestimulador e preocupante é ver que os homens assistem de camarote nossa ascensão, porém continuamos ganhando menos, sofrendo preconceito em vários âmbitos e etc. A mulher vem ganhando espaço desde a revolução Francesa, ou seja ha mais de 200 anos. Tiro o chapéu para as mulheres que foram a frente e brigaram pelos nossos direitos igualitários, só é lamentável que tenha demorado tanto tempo e o pior, que ainda falte muito, na nossa caminhada!
Acho que temos alguns “culpados” (acho que vai gerar polêmica):
homens; religião;governo;e Amélias - porque gostam ou por necessidade

Bjs

Comment by Mic
2007-08-24 15:41:00

Ô, Simone, eu escrevi minha resposta aí em cima pra Eminha sem nem ter lido o seu comentário. E concordo com você: as “amélias” são um atraso de vida nessa luta, sabe? Como pode nos tempos de hoje a mulher ainda achar que não tem seu valor e deve viver de mesada do marido? Não tô aqui dizendo que toda mulher que não trabalha fora é “amélia”, vamos logo deixar isso bem claro. Existem posturas beeeem diferentes e tenho algumas amigas que optaram por isso. Cada um com seu cada um. O que não dá é pra virar saco de pacada ou propriedade do marido só porque depende do dinheiro dele. E religião, então… ai, isso vai ter que virar outro post! rs

 
 
Comment by anita e filhos
2007-08-24 13:19:40

Oi mic ! muito legal msm ,esse tema ,ele é abrangente ,e foi com muita luta que conseguimos nossa fatia no mundo ,o preconceito como se nao bastasse vir do sexo masculino “entendivel” ,o pior é qdo somos discriminadas pelo sexo feminino ,sinto na pele ,a discriminaçao no meu trabalho ,ate tinha feito um post sobre ele ,meus filhos se orgulham eu muito mais ,cansei de ver meus clientes com cara de tacho e ponto de interrogaçao ,qdo eu entrego um micro para eles concertado o montado por mim ,a cara de ,isso nao é coisa pra homem? eu amo meu trabalho ,eu me meu marido temos a msm profissao ,trabalhamos junto o dia inteiro ,e ele é super bacana ,sempre me apoiando ,nunca omitiu para um cliente a autoria do trabalho ,somo bem cumplices ,em tudo ,o meu conta que qdo minha vó veio para o brasil ,meu vô se separou dela ,pq na epoca ela tinha ido trabalhar fora em um hospital ,dizia que aquilo nao era coisa de mulher direita ,mais bater e espancar a mulher e os filhos era coisa direita de um homem! ,Graças a Deus a mulher hoje ta deixando de ser um saco de pancadas ,eu acredito que ,o passar dos anos tende a melhor e quem sabe ate extinguir ,a violencia .Mic bjuss

 
Comment by anita e filhos
2007-08-24 13:27:47

Esse entendivel ,eu quis dizer que nossa luta alem de ter sido a nossa libertação como gente,profissional e ser humano dentro da sociedade ,somos mulheres mas nao somos tao frageis assim e provamos isso ,quebramos essa barreira com os homens onde cada um tinha seu papel e ponto final ,ainda temos que quebrar a barreira com nosso proprio sexo ,ainda há mulheres ,preconceituosas ,na raça,na opção sexual ,no trabalho e assim vai.
bjuss

 
2007-08-24 17:12:14

[...] mais do que falar, usar da conversa em vez da violência. Já estamos contribuindo com o assunto do post lá de baixo, não [...]

 
Comment by Alessandra Fiorini
2007-08-27 10:21:58

Mic, Mic, Mic!!!!
Pois é, cheguei em casa e contei para a Cida sobre a Lei Maria da Penha… ela me olhou tristonha e disse… “É verdade, Lê, deve ter esta Lei, mas não adianta, eles (a polícia) não estão nem aí prá gente que é pobre…”.
Puxa, que triste! O pior é que ela tem tanta razão!
Me pego muitas vezes me comparando com esta mulher e vejo como ela é, literalmente, mais guerreira do que eu.
Agora quero comentar outro comentário seu:
a submissão de mulheres da classe média.
Tenho vários exemplos no condomínio onde moro, de mulheres que não trabalham, por inúmeros motivos. Há desde dondocas àquelas que querem mas ainda não tiveram como voltar ao trabalho por causa dos filhos.
Uma noite destas, presenciei uma cena lamentável: fui ao apto de uma mãezinha de bb recém-nascido, com um filho mais velho (2 anos), sendo que este chorou até pouco tempo atrás TODA noite pois tinha problemas para dormir. A mulher está só o pó. E eu elogiei um móvel da sala. E o marido respondeu: “A (nome) não gosta, é novinho mas ela já quer trocar, achou grande demais… mas só quer trocar porque não foi o dinheiro dela que pagou…”
Cuma????
Olha, não é meu marido, mas na hora quis avançar no pescoço dele…
É por esta e outras visões machistas de nossa sociedade que precisamos lutar. A classe baixa é espancada fisicamente, a média e a alta intelectualmente. Mas ambos são formas de espancamento da mulher.
bjs
Ale

Comment by Mic
2007-08-27 10:52:10

Alê, tem toda a razão. Nos dois pontos que você tocou. No primeiro, vamos torcer pra esse movimento continuar existindo e as coisas andando pra frente, né? Tá devagar? Com certeza. Mas tá andando e a gente tem que exigir os nossos direitos. É claro que já entra outra conversa, de como as mulheres mais pobres acabam sendo discriminadas e enroladas. Então a gente vai lá e ajuda, faz elas reclamarem, irem à Ouvidoria da Polícia, escrever pra Secretaria Especial das Mulheres. Tem que colocar a boca no mundo!
Quando a essa outra, vamos combinar? Ela se submete a tudo isso porque tá com conforte dentro de casa, né? A Cida tava comendo o pão que o diabo amassou e, mesmo com menos recursos, foi atrás da forma que podia. Em pleno ano 2007 uma mulher ouvir uma coisa dessas de homem sendo instruída? Eu também tinha mandado um pescoção nesse idiota! rs

Vamos nos ver em Sampa semana que vem?

bjs

Comment by Alessandra Fiorini
2007-08-27 15:11:10

Quando vc vem?
Dia 22 tem aniversário do Mateus, 3 anos de pura alegria, meu filhotinho mais novo, cai num sábado, vcs podiam vir prá festa… semana que vem tá complicada: minha mãe tem quimio dia 04 (ela acabou de fazer uma mastectomia radical da mama direita, assunto para um post, hein?), dia 05 meu irmão chega de mudança com esposa, 2 filhos, sogra e sogro e vão ficar em casa (onde vão caber eu nem sei) até dia 08, pois seus móveis chegam dia 06 e até ajeitar tudo… acampam por lá.
Dia 09 tem o último dia do Disney on Ice, vamos todos… mas o convite prá festa dia 22 está de pé!
Me manda seu email no meu que te mando o convite “que eu mesma myself que fiz” como diria a Lu Brasil… por ele vc já dá sua avaliação de como andam minhas investidas no Photoshop e scrapolândia…
O que acha?
bjs

(Comments wont nest below this level)
Comment by Mic
2007-08-27 17:21:25

Alê, eu vou dia 7 de setembro, pro feriadão. Eu falei semana que vem, né? É a ansiedade… rs Manda pro mrocas@gmail.com

 
 
 
 
Comment by fabiana e melissa
2007-08-30 15:49:52

Mic eu trabalhei durante 1 ano em uma Delegacia de Policia no interior de SP, atuando diretamente na questão da Violência Familiar. Foram meses de luta na tentativa de romper com este ciclo de violência que envolve muitos aspectos e não apenas a violência em si. Há a dependência ecônomica, a falta de políticas públicas na área de habitação principalmente, dependência emocional, preconceito, falta de amparo legal (não havia a lei Maria da Penha), despreparo profissional, machismo, perseguição, crimes, medo, vergonha, alcoolismo (do homem que agride ou da mulher que sofre a violência) falta de apoio familiar. Apesar de todas as críticas, problemas e erros do governo Lula, eu que atuo diretamente na área social, posso afirmar que houve grandes avanços e antes de atacar devemos entender como o processo de liberação de verba acontece e qual o papel deveriamos exercer no controle social da destinação de recursos. Acredita-se que todo poder se concentra na mão do presidente e esquece-se que o maior fiscalizador são os eleitores, que ao invés de fortalecer os órgãos competentes ou seja os CONSELHOS MUNICIPAIS nem ao menos tomamos conhecimento do seu funcionamento. Como acontece o caminho após uma destinação de verba? (há muito o que dizer, mas vou dar enfase ao papel dos conselhos)
A constituição de 1988 estabeleceu mecanismos de participação direta da sociedade civil. A carta institucional estabeleceu o princípio da gestão governamental de forma descentralizada e participativa, a participação popular como valor estruturante e os conselhos e conferência como mecanismo de controle social. O controle social constitui-se, portanto uma das ações desenvolvidas pela sociedade civil organizada, que tem por objetivo: fiscalizar, monitorar e avaliar as condições em que as políticas sociais estão sendo desenvolvidas. É também a influência que a sociedade civil exerce na formação da agenda governamental para definir as prioridades para as três esferas do governo (munincipal, estadual e federal). Através dos Conselhos há a possibilidade do envolvimento da sociedade nos assuntos do governo, tornar o governo mais público e a sociedade mais atenta e cooperativa, zelar pela utilização dos recursos públicos. Existem os Conselhos de Políticas e de Direitos (da criança, do idoso, da mulher) e as conferências onde as policas são discutidas e tira-se uma agenda propositiva para o governo seguir com diretrizes e metas. Os conselhos são órgão de carater permanente e deliberativos, de carater paritário ou seja com representantes do governo e da sociedade civil, com mandato de 2 anos, presentes nas três esferas (conselhos municipais, estaduais e federais sempre interligados). Com isso a sociedade passa a indicar onde os recursos devem ser aplicados, quanto, quem vai receber atraves da atuação do conselho. O que vemos na prática é que pela falta de conhecimento, iniciativa, preparo, interesse, disponibilidade, os conselheiros são as mesmas pessoas (acabam repetindo o mandato) com pensamentos arcaicos, pautadas na lógica capitalista (muitas vezes) sem vontade de modificar alguma coisa, apenas cumprindo um papel que muitas vezes estão vinculados a manobras politicas tão conhecidas pela sociedade. Os demais integrantes da sociedade civil, 90% da população, não acompanham as ações dos conselheiros, desconhece a função, não comparece as reuniões que são públicas e não cobra o que deveria. Os conselhos funcionam em locais sucateados, sem infra-estrutura, sem acompanhamento, sem reciclagem, ficando a mercê de FAVORES POLÍTICOS LOCAIS. Em muitos municípios eles existem apenas no papel. Quando criticamos o presidente (de modo geral, os estudiosos da área fazem boas analises e podem falar melhor) temos que olhar primeiro o PREFEITO que é a esfera política mais próxima. Como por exemplo, a verba para área da mulher foi liberada pelo governo federal (relacionada a que vc mencionou 1 bilhão até 2010…) ele fez o papel que lhe cabia, a questão fica em como o Estado e o Município irão gerir este recurso. Quando digo que houve avanços é que minha classe profissional lutava há muitos anos para que as diretrizes elencadas nas Conferências de Assistência Social fossem colocadas em prática e apenas neste governo foi possível instituir o Sistema Único de Assistência Social (citado em uma da matérias que você colocou o link). Estes centros chamam CRAS- CASAS DA FAMÍLIA Centros de Referência em Assistência Social que quando forem realmente instituidos e levados a sério, irão contribuir significativamente para a mudança social, são ações dentro do bairro, de carater preventivo, assim comos os centros de saúde. O grande problema é que os prefeitos deturpam a utilização da verba, acontece aqui no município que trabalho. O prefeito acha desnecessário a criação destes centros, ou finge que faz (o que é muito pior, existe a inauguração, existe o espaço físico, mas falta profissionais). Acredita-se que sua política assistencialista é suficiente, sabe essas coisas que a gente vê até mesmo na internet: eu dou uma cesta básica, um pacote de fraldas e está tudo certo. Quando existem profissionais eficientes comprometidos ali na base, dentro dos bairros, das favelas, dialogando diariamente com a população. Dizendo “olha vai lá, junta as suas panelas e vá bater na frente do gabinete, vá até os CONSELHOS, se candidatem como representantes do seu bairro, do seu segmento, se filie a alguma ong, acompanhe reivindique…”. Este profissional passa a ser então perseguido, desnecessário, incoviniente, porque não é interessante, ter gente “pensando”. Mas o que eu quero dizer é que as pessoas precisam parar de apenas criticar, devemos incentivá-las a acompanhar a atuação dos Conselhos (que estão pertinho e é a primeira instância de acesso da população no controle social). Política não é só entender de partidos políticos e sim entender como os mecanismos de participação popular funcionam. Eu já escrevi demais, provavelmente ficou meio confuso, mas tem muita coisa que o pessoal deveria saber como as verbas são distribuidas e como cobrar na prática. mas fica para quem sabe o seu próximo post ou quem saiba mais sobre o assunto (e até escreva melhor). beijos e desculpe ocupar tanto espaço assim no seu blog, mas você que pediu heim.

Comment by Mic
2007-08-31 14:55:14

Fabi, pode ocupar todo o espaço do mundo se for pra trazer tanta informação importante, tá? Realmente eu acredito a cada dia que tá na hora da gente deixar de reclamar ou jogar pedras antes mesmo de enxergar o outro lado - ou tomar pra gente a responsabilidade. Ainda faço muito pouco. Mas busco me informar, só assim posso partir pro próximo passo: agir. Vou escrever mais em outros posts e conto com sua experiência pra acrescentar mais e mais, tá?

bjs

 
 
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