Sem muito o que comemorar
Feb 29, 2008 Responsabilidade Social e Cidadania
Amanhã o Rio faz 443 anos. E eu queria fazer um post super pra cima, alegre, celebrando o aniversário da cidade que tanto amo. Mas, quer saber? Tá difícil. O clima por aqui, pelo menos pra mim, é de tristeza, desânimo, desencanto. A Cidade Maravilhosa tem sofrido muito na mal de péssimos governantes, um povo a cada dia mais mal educado, egoísta, sem a menor noção de cidadania.
Sofremos aqui no Rio com o que eu chamo de caos urbano. Não existe lei nessa cidade, somente o “salve-se quem puder”. Não tem um dia no meu caminho de casa até o trabalho (e não passam de 15km) que eu não me aborreça e me desiluda mais um pouquinho com o que vejo. Ônibus em todas as faixas da Presidente Vargas, uma das principais avenidas do Centro, vans e kombis para todos os lados, que param em qualquer lugar para passageiros entrarem e saírem. O mesmo vale para os táxis, que param onde querem, na hora que querem, mesmo que isso possa significar um acidente.
Motoristas que fecham os cruzamentos, pelo simples prazer de ficarem parados 5cm à frente. Espertos, não? O engarragamento que causam vai atingi-los a qualquer momento também. Não tem pra onde escapar. E os super safos que fazem fila dupla, em vez de aguardar a sua vez no final da fila em um retorno? Esses são os mais geniais! São tão importantes que não podem esperar, precisam fechar duas ou três pistas da avenida para passarem na frente dos outros “otários”.
Nessas horas, eu me sinto um E.T. em meio a tudo isso. Fui educada para ser uma cidadã que respeite o mínimo das regras da boa convivência. Nunca fecho cruzamentos, ( mesmo que isso signifique ficar recebendo buzinadas de pessoas que não entendem porque eu não estou andando, mesmo com o sinal verde!), não faço as famosas “bandalhas” pra ganhar mais cinco minutinhos, fico ali, paradinha, esperando a minha vez de pegar o retorno, dou passagem sempre que possível. Sabe o mínimo?
Pois esse mínimo parece ser a exceção por aqui. O Carioca está a cada dia mais mal educado, intolerante, violento, displicente. E, o que é pior pra mim, se achando os corretos, os espertos! Hoje eu tava vindo pro trabalho e o carro da minha frente simplesmente parou, ligou a seta e bloqueou a pista, porque queria entrar à direita. Só que a entrada para a pista da direita ficou lááá atrás, em uma longa fila de carros e ônibus. É claro que a pessoa nem pensou duas vezes, saiu furando todo mundo e, quando viu que não dava mais, parou o carro onde deu. E todos os outros, que estavam na fila correta que se estrepassem, perdessem seus compromissos, o sinal fechasse. Pra quê respeitar o próximo?
Eu fiquei P@*#* da minha vida, não tinha como andar com o carro, baixei o vidro e comecei a gritar para a senhorita que estava tranqüilamente em seu carro, com janelas fechadas e ar ligado: “tá errado! tá errado!”. Sabe o que ela estava fazendo? Aquele sinal educadinho com o dedo médio, me mandando tomar naquele lugar. Faz todo o sentido, não faz? Ela estava errada, descumprindo as leis de trânsito, sendo mal educada, dando uma de espertona e mandando o resto se explodir, mas, naquele momento, se sentia a dona da razão, justificando, inclusive, agredir as pessoas à sua volta. Desilusão.
Respirei fundo e continuei. Logo à frente, dois ônibus, uma kombi e uma van na fila dupla, furando a fila que eu estava. Parada, diga-se de passagem, sem andar um único centimento. Do meu lado, feliz e apitando, um guardinha municipal. Ali, vendo tudo! Eu buzinei pra ele, apontei para o que estava acontecendo, ainda esperançosa de que algo pudesse ter jeito por aqui. A resposta do guarda que EU pago o salário? “Tô sozinho, dona, eu sou só um”. Claro, “seu” guarda! É melhor empurrar com a barriga, colocar a culpa no outro. É ou não é cada um por si?
Eu poderia passar uma tarde inteira enumerando os motivos para eu estar tão desiludida com o Rio. Já morei em Brasília, que é um antro de ladrões de colarinho branco, mas as pessoas são mais educadas, vive-se MUITO melhor. E, desde que voltei pro Rio, não tem um dia que eu não lembre com saudade da minha vida na Capital. Gostaria muito de morar em um lugar onde meus filhos não sejam uma exceção, como eu e o pai deles somos. Ser educado e seguir as regras por aqui é motivo de chacota, gozação.
Já cansei de anotar placas, ligar para SMTU, Ouvidoria da Cidade, empresas de ônibus. Inútil! Os motoristas das companhias mais parecem animais, que dirigem com uma agressividade assustadora. Pra eles pouco importa o caos que estão causando no trânsito da cidade, o importante é cumprir o horário de sua rota. E as empresas? Falam tanto em responsabilidade social, mas não olham para o próprio umbigo. Não pensam que é dentro de casa que devem começar a dar o exemplo, punindo os que desrespeitam leis, causam acidentes, agridem os demais motoristas, como já cansou de acontecer comigo. E quem deveria fazer a lei ser cumprida? Esses são os piores! Corruptos, deixam tudo acontecem debaixo de seu nariz, sem a menor vergonha.
Enquanto isso, nosso prefeito passa os dias escrevendo em blogs. Nosso governador… bem, ele tem muito trabalho continuando o legado do Casal Rosinha e Garotinho, que tanto (MAL) fizeram pela cidade que tanto amo. Se pararmos pra pensar, não evoluímos muito desde que deixamos de ser uma capitania hereditária, deixamos?
Feliz Aniversário, Rio de Janeiro. Eu queria muito te ver feliz.
Dicas de NY – Parte 2
Feb 26, 2008 Viagens

Bem, antes que eu esqueça de tudo, vamos ao nosso segundo dia de viagem… rs
Ir para os Estados Unidos significa, em grande parte, que nosso cartão de crédito vai sentir as conseqüências! ;c) O lugar é a terra do consumo, os preços, mesmo com o Real menos valorizado, são muuuuito baratos e nós, pobres mortais, caímos em tentação! Me programei para irmos ao Woodbury Common Premium Oulet logo no segundo dia de viagem, para comprarmos o que tínhamos em mente a preços mais baratos. Depois de uma noite de sono na horizontal (já que anterior foi enlatada dentro do avião!), lá fomos eu e Dani para o Terminal de Port Authority pegar o ônibus que nos levaria até New Jersey.
Foram 45 minutos de viagem até que chegássemos ao paraíso das compras. rs O lugar é ENORME, são 220 lojas, incluindo grandes marcas, como Armani, Guggi, Fendi e as minhas favoritas: Gap, Gymboree, Carters, Childrens Place (só loja de crianças! ahahah). Logo de cara, paramos na loja da Samsonite e compramos duas malas, que se juntaram às outras duas que levamos pra carregar tudo de volta pro Brasil.
Chegamos lá por volta das 11h e tínhamos que correr, já que havíamos comprado ingresso para um show da Broadway às 20h. Ou seja, não aproveitei tudo que gostaria, pra olhar com calma as promoções, encontrar aqueles “achados”. Fiquei com a sensação que perdi uma ótima oportunidade… Mas, mesmo assim foi ótimo! Fiz o guarda roupa do Rafinha para os dois próximos anos, com roupinhas da Carters, incluindo pijamas, calças jeans, bermudões, camisas pólo e moletons. Cada coisa mais linda que a outra e por preços inacreditáveis. Havia roupas de inverno por 4 dólares! Enquanto no Brasil se gasta R$60,00, no mínimo, por uma calça jeans, lá comprei duas com esse mesmo valor.
Jujuzinha também ganhou pijamas, vestidinhos e outras roupinhas, mas em menor quantidade, já que ela está na fase em que ainda perde muito rápido. Completei seu “enxoval” com roupas super moderninhas da Gymboree e da Gap.
Com o Dani quase arrancando os cabelos depois de ver a quantidade de coisas que comprei ( e não gastei nem 1/3 do que gastaria no Brasil), continuamos nossa programação consumista. Novamente bagatelas na loja da Nike, onde comprei tênis pra criançada e pra nós dois. Meu presentinho foi escolhido na Guess, onde arrematei uma bolsa liiiiinda, e na Armani Exchange, com uma blusinha tudo de bom que custou 19,99. Como a mão coça naquele lugar! rs
O finzinho do dia foi meio estressante, já que tínhamos que pegar o ônibus de 16h20 no máximo, pra chegarmos a tempo de deixar tudo na casa do Alan, nos arrumarmos e irmos para o espetáculo na Broadway. Mas, só pra resumir, pegamos um engarrafamento MONTRO a uns 10km de distância do terminal rodoviário, para atravessar o tal do túnel que separa as duas cidades (Hudson Tunnel?!). Mais de 30 minutos parados, sem ninguém sair do lugar. O tempo passando, eu ficando nervosa, com medo de perder a hora do show… Graças a Deus a Rafaela tinha me emprestado um celular e liguei pra ela, pedindo socorro.
No final da história, conseguimos chegar a tempo, pegamos um táxi, fomos pra casa deles, ela pegou a nossa bagagem, e continuamos com o mesmo motorista, que nos deixou na porta do August Wilson Theatre às 19h55! Ufa! Não deu tempo de tomar banho, colocar uma roupa mais quentinha, se pentear… nada. Entramos e descobrimos que tínhamos comprado ótimos lugares, na terceira e quarta fileira, pertinho do palco. Escolhemos assistir a “Jersey Boys”, a história de Frankie Vallie e os Four Seasons. Sensacional!
E, posso dizer? A lembrança do espetáculo é a melhor que temos dessa viagem. Tanto eu quanto o Dani concordamos com isso, enquanto fazíamos o balanço final… A produção é sensacional, as músicas são ótimas, os cantores são de alto nível. Cenário moderno, com ótimas sacadas, divertido, o público entra no clima. Tanto que a apresentação termina com todos de pé, batendo palmas e cantando juntos. Super recomendo! Aqui tem vídeos de alguns trechos (clique em Media). Imperdível MESMO!
Saímos do teatro por volta das 22h e percebemos que o frio estava começando a chegar de verdade. E, melhor do que isso, foi só então que caiu a ficha de onde estávamos hospedados: perto de tudo! rs Começamos a andar e vi que estávamos a poucas quadras de “casa”. Encolhidinhos de frio, caminhamos pela Broadway até a 56th, paramos no “Joey´s Pizza” pra matar a fome e depois fomos pra casa, felizes, por termos o privilégio de viver dias tão especiais!
As dicas:
1) O Outlet é enorme, mas é aberto, são casas espalhadas, a gente anda pra caramba, o dia inteiro. Nesse caso, leve malas de rodinhas pra carregar as sacolas que, acredite, serão muitas! ;c) E, para esse dia, não faça como eu, tá? Reserve realmente o dia INTEIRO para as compras e não marque nenhum compromisso para a noite. Você vai estar morta!
2) A gente escolheu assistir a “Jersey Boys” porque tinha a indicação do Alan e também diversas críticas positivas, é um grande sucesso. Por esse motivo, estava quase impossível conseguir ingressos, mesmo com três meses de antecedência (compramos em novembro). Depois de muito tentar, tive uma idéia que deu certo: comprei os assentos separados, um de cada vez, em vez de comprá-los juntos. Pra nossa sorte, conseguimos um assento atrás do outro, em ótimos lugares! Boa idéia, não? ;c)
Cada um na sua
Feb 23, 2008 Desabafo de Mãe, Padecendo no paraíso
Essa semana rolou nos comentários o papo de babá, ou a falta dela, e a coisa acabou ficando pela metade. Recebi um ou dois comentários que foram (e continuaram) moderados, de pessoas que não sabem nada de mim ou da minha vida, me dizendo que eu faço drama pra cuidar dos meus filhos ou coisas do gênero. A opinião dessas pessoas, quero deixar bem claro, pouco me importa. Aliás, nunca fui de me importar muito com a opinião alheia a meus respeito, a não ser das pessoas que eu amo.
Mas, como eu gosto sempre de mostrar os dois lados da moeda aqui no blog e escrevo para concatenar as idéias na minha cabeça, aqui vou eu. Ninguém precisa vir dizer “não liga pra eles, Mic, ignora” ou coisas do gênero, porque isso realmente não me afetou. Esse post aqui é pra mim mesmo, não é um recado pra ninguém. Quem sabe as pessoas que estão lendo se identifiquem, ou simplesmente percebem que eu não estou escrevendo um romance enfeitado, cheio de finais felizes, mas sim a minha vida real.
Desde que Rafa nasceu e eu passei por poucas e boas com ele, nunca mais fui a mesma pessoa. Tive depressão pós-parto, fiquei na casa da minha mãe e da minha irmã por quase dois meses, longe do Dani, da minha casa em Brasília, do quartinho que tinha preparado pra ele. Nessa hora, a Beth se revelou como o meu braço direito, a pessoa que me ajudou a passar por tudo, entendeu que não era frescura minha, eu estava doente, precisava de um tratamento. Nem ela, nem o Dani ou minha família me julgaram. Somente eu me julgava, me sentia a pior das mães. Até que o meu tratamento foi fazendo efeito, eu fui enxergando a vida com outros olhos, percebendo que a maternidade, como tudo na vida, tem seu lado bom e o ruim.
É aí que começa o post de hoje. Quando Juju nasceu e, mais uma vez prematura precisou ficar na UTI, eu tive uma recaída, precisei voltar aos meus remédios e tomar a difícil decisão de não amamentá-la, em troca da recuperação do meu equilíbrio. Eu já sabia o que tinha enfrentado com Rafinha, não queria passar por tudo aquilo de novo. Preferia não amamentar, mas ter certeza que curtiria e cuidaria da minha filha nos quatro ou cinco meses de licença que me esperavam. E, com meu marido ao meu lado sempre me apoiando, foi o que fiz. E lá estava a Beth, além da minha mãe, irmã e tias, novamente me ajudando, sendo o meu braço direito.
Eu nunca fui de ter medo de trabalho. Arregacei as mangas sempre que necessário. E faço questão de cuidar de cada detalhe da vida dos meus filhos. Não passa um dia que eu não pense em que posso melhorar ou mudar para que eles sejam mais felizes, mais bem cuidados, tenham mais oportunidades de crescer e serem bem sucedidos. Contratei uma folguista quando comecei a minha pós, que, durante um ano e meio, ocupou minhas sextas à noite e meu sábados inteiros. A gravidez da Juju apareceu de surpresa ainda no primeiro semestre, defendi minha monografia com a branquela nos braços, com 1 mês e meio de vida. Tirei a nota máxima, apresentei o trabalho em seminários. Nunca fiz corpo mole porque estava grávida.
A folguista ficou depois que Juju nasceu. E, só quem tem dois filhos sabe, a rotina ficou mais atribulada, mais corrida, com menos tempo para mim. Junto com a Beth, ela sempre foi o meu back up, a pessoa que me permitia dormir uma hora a mais em um domingo, ou ir ao cinema sexta à noite. Os passeios, brincadeiras e programas do final de semana sempre foram comigo e o pai. Tudo funcionou perfeitamente até o final do ano passado. Foi quando a Beth foi embora e a folguista também. Pessoas de confiança, que não se encontra em cada esquina.
E, mais uma vez, com a saída da Beth, percebi que, depois da depressão e das crises de ansiedade, nunca mais fui a mesma pessoa. Fico ótima 90% das vezes, mas o cansaço físico me deixa emocionalmente mais vulnerável e a tendência é que eu fique um pouco perdida, meio deprimida. Normal? Com certeza. Desculpa esfarrapada? Não preciso delas. Eu não tenho a menor vergonha de mostrar as minhas fraquezas ou compartilhá-las aqui. Esse blog já se mostrou um ótimo lugar para trocar experiências, encontrarmos pessoas que passam por dificuldades parecidas e encontram soluções. Há quem prefira jogar pedras nos outros e vestir a capa da “mãe perfeita”. Mas, como eu não estou nem aí pra esse título, sigo adiante, gosto de ser de (muita) carne e (pouco) osso. ;c)
Novamente minha mãe tem sido uma salvação em um momento complicado, que não é o fim do mundo, mas tem um peso diferente, uma história diferente pra mim. A Beth não era somente uma funcionária minha. Ela foi a pessoa que passou por todas as dificuldades junto comigo, cuidou do Rafinha e da Juju bebês, teve a sensibilidade de perceber as horas em que eu não estava bem e me poupar. Poucas pessoas têm a sorte de encontrar alguém assim. E outras poucas pessoas têm a sensibilidade de perceber que cada um sente as coisas de uma forma, tem necessidades diferentes, o calo dói de um jeito que só nós próprios podemos saber.
Eu sei que vai ficar tudo bem. Eu sei que não é o fim do mundo. Mas sei também me dar ao direito de buscar ajuda, perceber o que está me angustiando, me dar o tempo que preciso pra digerir toda a situação. Ter filhos é uma benção? Sim. Mas ter filhos dá trabalho, uma canseira danada, você precisa aprender a encarar uma mudança definitiva, que nem sempre é boa ou te deixa com um sorriso nos lábios.
Eu nunca fui de ficar dourando a pílula, colorindo a maternidade de cores que ela não tem. Obviamente esse blog é um registro valioso da vida dos meus filhos e não vou ficar aqui chorando pitangas semanalmente. Mas nunca ninguém aqui me ouviu falar a célebre (e mentirosa) frase “todo o cansaço vai embora quando olho nos olhos dele”. História pra boi dormir! O cansaço continua ali, e acumula, acumula, acumula. O amor cresce também, junto com as compensações. Mas, continua sendo um saco ter que sair antes do aniversário do amigo porque a filha começou a chorar de sono, acordar às 5h30 de um sábado (como hoje) porque seu filho dormiu mais cedo do que devia, ou não poder se sentar por cinco minutos em frente a uma televisão durante o final de semana inteiro, porque tem sempre alguém te chamando. Ossos do ofício!
Nem sei se consegui escrever alguma coisa que fizesse sentindo, mas foi a saída que encontrei pra tentar entender todo esse meu nervosismo. Cheguei em casa de uma festinha em que Rafa chorou 50% do tempo e Juju chorou os outros 50%. Os dois estão mexidos também, muitas mudanças acontecendo, escola, dentes novos chegando, ausência da Beth, nariz entupido, nossa viagem recente. E eu, que acabei de voltar de férias em que não descansei. Vamos combinar? Tudo isso é meio extenuante. Mas, é vida que segue. Filhos, quando vocês crescerem, a mamãe estiver velhinha e pedir pra vocês me levaram pra passear em um domingo à tarde, leiam esse post e sejam bonzinhos, tá? ;c)
Fala que eu escuto
Feb 22, 2008 Júlia, Momentos especiais, Pérolas do Rafinha
Um fala pelos cotovelos. O outro resolveu, finalmente, dizer sua primeira palavra. Em todo caso, a experiência já nos mostra que teremos uma segunda tagarela em casa. Acho que vou precisar comprar urgentemente um daqueles fones que reduzem o barulho externo, sabem? ;c)
Na escola, as professoras sempre disseram que Rafa se expressa muito bem, pronuncia as palavras perfeitamente, inclusive as mais difíceis. Eu não via nada demais, achei que fosse normal da idade. Só que essa semana fiquei mais tempo na escola fazendo a adaptação da Juju e percebi realmente que as outras crianças da sala dele não falam assim tão explicadinho, não. Ainda enrolam um pouco pra expressar as idéias, o vocabulário. Foi então que percebi que já descobri uma aptidão do filhote: a comunicação. Puxou a quem, hein? Filho de jornalistas…
Pois esse tagarela tem tirado conclusões e feito perguntas que muitas vezes nos deixam sem resposta. Precisei anotar pra não esquecer:
Subindo a rua da escola, Rafa tenta fazer comigo o mesmo ritual que faz praticamente diariamente com a avó. Como eu precisava chegar logo pra ficar com a Juju, fui acelerando. Até que ele vê um dalmata descendo a rua em sua direção.
- Rafinha, olha o cachorrinho do filme, ele é cheio de pintinhas!
- Mamãe, porque esse cachorro é vaca?(Por que, meu Deus, esse cachorro é vaca? Me responde? rs)
Trouxemos de viagem pro Rafinha uma caixinha cheia de bebês dinossauros. Ele amou! Anda com os ditos pra lá e pra cá, e todo dia escolhe um deles pra levar pra escola. Só que vive me perguntando os nomes e, obviamente, saio inventando um monte deles.
- Mamãe, como é o nome desse que grita e come gente?
- “barrigossauro”
- E esse grande, que é feio e come árvore?
- “perigossauro”
- E esse, mamãe, que voa?
- (ah! Esse eu sabia! rs) Pterodactilo.
- Fala de novo, mamãe!
- Pterodactilo
- Piterodátilo. Piterodátilo. Piterodátilo.(Virou a palavra preferida do moleque, que pronuncia direitinho e adora contar pros porteiros, amigos da escola e vizinhos qual o nome do bicho)
Como o moleque tava fazendo lenha pra escovar os dentes, comprei pra ele na viagem uma escova de dentes elétrica, do homem aranha. Pra completar, trouxe pasta de dentes do Mc Queen e do Mickey. Funcionou! rs Só que ele tem que filosofar sobre isso também:
- Mamãe, deixa eu apertar o botão pro homem aranha pular
- Rafinha, não deixa o botão apertado direto, vai acabar a pilha
- Por que a escova tem pilha, mamãe?
- Pra ela poder ficar pulando e limpar melhor os seus dentinhos
- Mamãe, porque essa escova tem pilha e todas as outras não têm?(Essa é uma pergunta para os universitários! rs Existe sindicato das escovas de dente? ;cÞ)
Tentando acompanhar o irmão, finalmente Juju resolveu falar alguma palavra do nosso idioma. Até então, ela vem falando um dialeto que resulta de uma mistura do hebraico com árabe e chinês mandarim: a gente sabe que ela tá reclamando/fazendo queixa do irmão/cantando, mas não entende patavinas. Quando quer nos mostrar alguma coisa, apela pro grito mesmo, e pobre do ouvido de quem estiver por perto.
Mas, durante a nossa viagem, eis que nossa menina decidiu falar sua primeira palavrinha. Adivinhem qual? Estátua! rs Tudo porque a avó tinha a sessão de músicas durante a tarde e eles ficavam dançando aquela música da Xuxa, que veio em um CD desses de coletânea de músicas preferidas do aniversariante. Pois bem, é só colocar a música pra neguinha começar a dançar e, quando está se aproximando a parte do refrão, ela já começa a sorrir. No momento certo, ela estica as mãozinhas e fala “tata”, e cai na gargalhada! O irmão se amarra, fica pedindo pra ela fazer mais… rs
De resto, bem timidamente, ela tem lançado mão de uns “tá” e “qué”. Mas, bem sem vergonha mesmo. eheheh Mamãe e papai? Muito comuns, ela resolveu ir em busca de um vocabulário mais rebuscado! ahahahaha Agora, com a escola, o desenvolvimento vai ser a olhos vistos.



