Orgulho de ser carioca?

Carta enviada ao Sr. Prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes,

Olá, Sr. Prefeito
 
Meu nome é Michelle. Eu sou carioca, da gema, daquelas que sempre sentiu orgulho disso. E, confesso, ultimamente tenho precisado me esforçar muito para continuar com esse sentimento. Já faz alguns anos que ser carioca deixou de ser sinônimo de irreverência, alegria, camaradismo e beleza. Todas essas qualidades, lamento em constatar, têm sido substituídas por esperteza, má educação, desrespeito às regras, individualismo e falta de ética.
 
Tudo isso é traduzido nas mínimas coisas. Motoristas de ônibus que ignoram sinais e leis de trânsito com a anuência dos donos das empresas de transporte que, por sua vez, não são multados por Guardas Municipais que fazem vistas grossas para tudo isso. Guardar municipais que batem ponto em porta de escola para multar pais e mães que vão buscar seus filhos no fim do dia, mas fecham os olhos para caminhões descarregando em horário ilegal a duas ruas de distância. Caminhões que fazem carga e descarga no meio da rua, em horário ilegal, apoiados por donos de estabelecimentos que os recebem, mesmo sabendo que estão descumprindo a lei e atrapalhando o trânsito. Trânsito que está cada vez pior, fazendo com que nós, os cariocas legítimos, que ainda têm educação, conservam a ética, criam seus filhos para serem cidadãos conscientes, pagam impostos (altos) e contas em dia fiquem horas e horas dentro de um carro, em vez de estarem passando tempo de qualidade em família.
 
A cada manhã que venho para o centro do Rio de carro da xxxx, prometo pra mim mesma que não vou mais me indignar, sentir embrulho no estômago, abrir a janela do carro e reclamar com um motorista de táxi que parou para pegar passageiro no meio da Avenida Presidente Vargar ou uma Pick up da prefeitura que parou para comprar meias (!!!) fechando uma pista inteira da Rio Branco. Penso e tento me controlar para fechar os olhos, fazer a minha parte sempre, mas evitar me desgastar e sair do sério com todos esses problemas e coisas erradas que me acompanham no percurso de menos de 10km de casa até o trabalho. Percurso esse que faço em 50 minutos, em vez de 15, muito provavelmente por causa da desordem no trânsito.
 
Mas, sabe o que acontece? Eu não consigo desligar o meu senso crítico, muito menos ignorar meus direitos. E insisto, reclamo com a PM, Guarda Municipal, Ouvidoria da Prefeitura, vou aos jornais. Tirando o último, que vez ou outra publica uma carta minha, os três primeiros só contribuem para a minha indignação aumentar. E o bolo no estômago. Profissionais despreparados, que, na maioria das vezes, fazem parte dessa parcela da população que engrossa o coro dos “novos cariocas”, vamos chamar assim.
 
Pra piorar, além de ter que conviver com bandidos, tiroteio em favelas, assaltos nas ruas, falta de policiamento e sossego, ontem à noite, eu, moradora da xxxx, precisei aturar seguranças, guardadores de carro e porteiro de clube fazendo o canteiro de centro da minha rua de barzinho. Por volta das 21h, mais de 20 pessoas ouviram jogo de futebol pelo rádio às alturas. Ao fim do jogo, quando eu e meu marido achamos que já estávamos livre, o pior começou. Com uma churrasqueira armada no meio da rua, cadeiras e mesinhas, a arruaça só aumentou. Gritaria, gargalhadas, cantorio. Um corsa amarelo estacionado em frente ao clube xxxx estava com a mala aberta, com a música em alto volume. Passava das 22h. Ao chegar na janela para ver o que acontecia, vi o pior: o porteiro do clube entrava e saía do estabelecimento com várias garrafas de cerveja na mão, para servir aos seus “clientes”. Fiquei de queijo caído porque, além do absurdo dessas pessoas fazerem a rua de ponto de encontro e churrasco, o clube estava contribuindo, servindo a bebida. E o porteiro estava participando da algazarra, algumas pessoas encostadas na grade do clube conversando com ele e rindo.

Liguei para o clube e reclamei. A resposta? “O bar está aberto, eu posso vender”. Questionei que ele pode vender a bebida DENTRO do clube, e não no meio da rua, onde as pessoas ilegalmente faziam um churrasco, e ele disse que não tinha nada com isso. Ao perguntar seu nome, ele simplesmente respondeu “não interessa”.

E foi então que eu infelizmente constatei que ele estava certo. Liguei para o 109 duas vezes e nada de viatura para dispersar a baderna. Insisti com o xº batalhão e, em vez de ouvir que as pessoas realmente estavam erradas e seriam coibidas, recebi do outro lado da linha mais uma prova de despreparo da polícia: o capitão, ou seja lá qual for sua patente, começou a desfiar um rosário para explicar porque esse assunto era com a prefeitura. Eu insisti, dizendo que com a prefeitura em me entenderia no dia seguinte, em horário comercial, mas que a polícia tinha responsabilidade também. Baderna! E, completando essa piada que é viver no Rio de Janeiro, recebo a velha desculpa: “hoje a coisa está meio complicada aqui xxxx, estamos sem viatura”. Como se o meu problema deixasse de existir por conta disso.

Perto da meia noite, ainda indignados com a bagunça que continuava em alto volume, ligamos para a guarda municipal e não tivemos grande progresso. A mesma promessa vazia de que mandaria alguém para averiguar. Coisa que nunca aconteceu.

Após ouvirmos a galera cantar “parabéns para você” em coro, para a rua inteira ouvir, só nos restou ir deitar, ao som de pagode, risadas, com perfume de churrasco que invadiu o apartamento. E sonhar com o dia em que conseguiremos viver dignamente em outra cidade, tendo que deixar para trás o lugar que mais amamos, onde nascemos.

Choque de ordem? Nossa cidade precisa de um choque de ética e respeito as direitos dos cidadãos. Enquanto não tivermos crianças nas escolas, sendo educadas para não crescerem esses adultos que desrespeitam o direito do próximo, ignoraram as leis mínimas de convivência e acham que são mais espertos porque descumprem as leis não adianta derrubar prédios em favelas ou expulsar camelôs das ruas. Tapa-se a ferida sem tentar curá-la.

Não votei no senhor, mas não é por isso que deixei de acreditar. Vi algumas entrevistas em que o ouvi falar justamente sobre essa necessidade de recuperarmos o antigo carioca e nos livrarmos de vez dessa maldição do “levar vantagem em tudo”. E é por isso que resolvi escrever. Nem sei qual o meu objetivo ao fazer isso, talvez por estar cansada de ouvir minha voz ecoar no vazio. Imagino que, lhe escrevendo diretamente, a chance de isso acontecer seja bem menor. Pelo menos eu torço por isso.

 
Atenciosamente,
Michelle Aisenberg
Jornalista, carioca, casada, mãe de dois filhos

Guardem esse nome

Carlos Alberto Direito. Esse é o nome do nosso Ministro, homem visionário, que fez o favor de adiar indefinidamente uma votação tão importante como a da lei de Biossegurança. O motivo? A decisão é “polêmica demais” e é preciso mais tempo para debater. Hein?! A lei foi aprovada em 2005 e, no mesmo ano, uma liminar já a suspedia. Três anos depois, nosso ministro acha que não houve tempo suficiente para discutir o assunto?! O que ele estava fazendo durante esse período? A quem ele estava representando quando tomou essa decisão?

Sinceramente, é nessas horas que eu me sinto uma areia no deserto. Uma decisão que pode mudar a vida de milhões de pessoas para melhor, um avanço sem precedentes no campo científico, a chance de acompanhar as grandes potências… e nosso ministro burocrático prefere “jogar com a tabela” e pedir vistas?! E mais, isso aconteceu depois de pelo menos quatro horas de sessão? Quanto desperdício de tempo, de dinheiro, de esperança.

Hoje fui e voltei do trabalho ouvindo a CBN. Só posso dizer que ouvi entrevistas patéticas, uma de um padre, dizendo que “nós todos já fomos fetos e tivemos a chance de nascer”. ESTÚPIDO! A prova de que a igreja muitas vezes é do contra pura e simplesmente por ser. Um livrinho de biologia básico, de terceiro ano, esclareceria ao padre em questão que só chamamos de feto um embrião com mais de 12 semanas.

Ministro Carlos Alberto Direito, muito obrigada. Em nome de todos os brasileiros que, como eu, esperavam um fim útil para os embriões que temos congelados. Em nome de todos os doentes que têm a progressão de suas doenças crônicas como uma sentença de morte. Em nome de todas as mães que choram e sofrem, vendo seus filhos sofrerem sem poder trocar de lugar com eles. Responsabilidade é uma coisa. Omissão é outra.

Se você quer entender mais sobre a lei de Biossegurança e os impactos para o país, clique aqui.

A sociedade opina. E você?

Amanhã é um dia importante para os brasileiros. Talvez poucos saibam disso. É quando o Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar a ação que definirá a constitucionalidade das pesquisas com células tronco embrionárias no Brasil.

E eu, como “mãe” de 11 embriõezinhos que nesse momento estão congelados, estou torcendo para um parecer favorável. Já que eles não vão virar irmãozinhos do Rafa e da Juju, que sirvam para a busca da cura para doenças e a melhoria da qualidade de vida de muitos filhos que sofrem demais e, por conseqüência, das mães que vivem de coração apertado e mãos atadas, sem muito o que fazer para impedir isso.

O Supremo Tribunal Federal (STF) julgará, na quarta-feira, 5 de março, a ação que definirá a constitucionalidade das pesquisas com células tronco embrionárias no Brasil. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) foi proposta pelo ex-procurador geral da República, o católico Cláudio Fontelles, que defende a suspensão de tais pesquisas, baseando-se em argumentos de cientistas católicos que discutem sobre o início da vida humana. Em abril de 2007, o STF foi palco de uma audiência pública que reuniu a comunidade científica e representantes da sociedade civil, contrários e favoráveis à Adin. Desde então, o tema vem sendo amplamente debatido pela sociedade, sendo alvo de recente pesquisa do Ibope, segundo a qual 95% dos brasileiros são a favor de pesquisas com células-tronco, considerando-as uma atitude em defesa da vida.

Trecho retirado do texto “A Sociedade Opina”, publicado no site do CLAM – Centro Latino Americano em Sexualidade e Direitos Humanos.

Lendo o texto, percebi que não só para mim, como para a maioria dos brasileiros que participaram da pesquisa a respeito do assunto, o tema já deixou de ser um embate religioso, discussões sobre o “sexo dos anjos” ou coisa que o valha. Espero que essa opinião também seja espelhada pelos nossos representantes no Supremo.

Mulher nota 9

Eu e as meninas do Scrapblog temos um fórum ontem trocamos (na maioria das vezes) idéias sobre Scrapbooking ou o que vai ser publicado no nosso site. Mas, como em todo lugar onde várias mulheres estão reunidas, vez ou outra surge uma discussão interessante que gera um papo muito legal, reflexão e troca de experiências.

Essa semana, a Calabresi levantou o assunto da culpa (nossa velha amiga!) e de como ela se cobra muito, querendo dar a maior atenção possível pra Laurinha. Por outro lado, também tem vontade de curtir as coisas dela, ter um tempinho pro seu hobby, pra cuidar de si própria, marido… Se identificou com alguma coisa? Nós também! ;c)

Depois de trocarmos vários posts sobre isso, eis que a mãe dela clareia as discussões com um comentário deixado lá no Colorida Vida que, acredito eu, vai ser útil para todas nós que passamos por aqui. ——  (Pausa para você ler o comentário). rs —— Viram que essa história de culpa não está com nada? Muito menos esse papo brabo de abdicar de tudo pelos filhos ou abrir mão de um tempinho a sós com o marido ou no salão pra fazer as unhas e o cabelo? Antes de sermos mães, já éramos mulheres. Quando você saiu da maternidade se lembra de ter deixado alguém pra trás? Pois eu não deixei! ;c)

Sou sempre a que levanta a bandeira do equilíbrio, o meio-termo. Se eu consigo isso? Muitas vezes não. Mas estou sempre tentando. É claro que também sinto culpa, às vezes me acho uma mãe de meia-tigela, acho que podia ficar mais tempo com o Rafa, ou então dar mais atenção pra Júlia, ficar menos tempo no computador fazendo scraps (menos?! Socoorro!). Mas, na maioria das vezes, tento manter a sanidade e não me transformar em uma pessoa que vive para os filhos e esqueceu que tem vida própria. Equilíbrio, Michelle, equilíbrio.

Nesse looongo papo, eis que a Carlinha nos envia um texto da Martha Medeiros publicado esse mês na Revista Cláudia. Chama-se Mulher nota 9 e cai como uma luva nesse momento. —- (Outra pausa pra você ler, mas lê rapidinho, ele é longo) Ele fala do tempo. Esse mesmo que a gente vive reclamando que não tem. E também do mau uso que muitas vezes fazemos dele. Dessas cobranças insanas, dessa eterna competição e necessidade que a mulher tem de ser absolutamente perfeita em tudo. Cansativo isso! rs

Eu tentei me avaliar e, acho, não entro de gaiata nessa loucura, não. Como já disse, tenho meus momentos, mas, na maioria das vezes, me permito ser humana. Comercial de margarina passa longe… Abro mão de qualquer troféu de “mãe perfeitinha do ano” em troca de alguns minutos de silêncio no domingo à tarde pra ler um livro, ou uma tarde de brincadeiras sem frescuras, com as crianças todas sujismundas  ao meu lado, comendo sopa de potinho ou biscoito “Grobo”. Peço ajuda, delego sempre que possível, tudo isso pra sobrar mais tempo pro que realmente importa pra mim: ter tempo de qualidade ao lado dos meus filhos e do meu marido. Acompanhar o crescimentos das crianças, cuidar para que eles saibam que sempre poderão contar seus pais, conversar, apoiar, ser amiga, companheira. Como disse a Mi, uma boa mãe é uma mãe feliz. Já ouviram uma frase melhor do que essa?

Apesar de nunca ter conseguido resumir esse pensamento de uma forma tão perfeita, é dessa forma que tenho me guiado nesses três últimos anos como mãe. Justamente por isso nunca deixei a falta de tempo ser desculpa para eu não conseguir sair só com o Dani (apesar da freqüência ainda não estar como gostaríamos), fazer a unha ou cuidar do cabelo, ir à ginástica, fazer meus scraps, escrever no blog ou sair com as amigas. Se é o que me faz feliz, porque abrir mão disso? Só assim me sinto bem para dar o meu melhor para os meus filhos. Quero ser a melhor mãe possível para eles, e essa é a minha fórmula. Qual é a sua?

PS: Por falar em tempo só pro marido, ontem à noite fomos ao Teatro Municipal assistir “The Great Voices of Gospel”, um dos melhores corais de música gospel do mundo, da igreja nova-iorquina Convent Avenue Baptist, no Harlem. De arrepiar! Que vozes são aquelas?

Tudo ao mesmo tempo agora

Essas últimas semanas têm sido meio doidas. E os posts têm refletido isso. É tanta coisa na minha cabeça ao mesmo tempo que as coisas deixam de fazer sentido ou ficam meio embaralhadas. Além de toda a mobilização com os cursos – que estão bombando!, ainda teve Juju meio baleada (mas agora já está bem), trabalho agitado com mudança de layout e tudo dentro de caixa, menos sono à noite do que eu gostaria. Aí fico com aquela sensação estranha de que estou deixando de fazer alguma coisa, sabe?

Nesse exato momento terminei de preparar minha aula que começa amanhã! Estou super animada, ainda mais com uma super novidade que veio novamente do Canada: a Lisa decidiu que o cupom das minhas alunas não será de desconto, e sim de US$ 10 para elas comprarem o que quiser na loja dela. Não é um espetáculo? É definitivamente começar com o pé direito: ganhando o kit “A Beautiful Mess” e ganhando dinheiro pra fazer compras… ;c)

Hoje também tive mais uma ótima notícia! O bebê que minha prima Flávia está esperando é um MENINO! Fiquei super feliz, porque Rafinha finalmente vai ganhar um primo. Nessa família só nasce mulher, meu Deus. Agora Amanda vai ganhar um irmãozinho e a família vai ficando mais equilibrada.. eheheh

Juju passou a noite bem e só uma tosse mais leve nos lembra a crise alérgica de quarta-feira. Ela está medicada e, espero, em alguns dias já vai estar 100%. O irmão dela está com a corda toda esses dias. Completamente atacado, fazendo malcriação, ficando de castigo uma meia-dúzia de vezes por dia e exigindo mais atenção do que o normal. Minha mãe disse que é o inferno astral… eu já acho que é pré-pré-adolescência mesmo! rs

***

A falta de pé e cabeça dos meus posts na última semana quase me fez deixar passar em branco uma notícia super importante, que muito nos interessa (quer dizer, a mim não mais! rs) e foi um grande passo para as futuras mamães e seus filhotes: a aprovação no Senado da licença-maternidade de seis meses com incentivo às empresas. Quer ler mais sobre o assunto? Clica aqui! Eu queria muito ter tido a oportunidade de passar mais tempo com os meus filhotes quando eram bebezinhos. Tudo bem que emendei as férias e fiquei cinco meses exclusivamente ao lado deles. Mas poderia ter sido mais. Apesar dessa lei ter como foco principal a extensão da licença com vistas à amamentação, eu acho super importante, mesmo no meu caso que não consegui amamentar, esses primeiros meses de atenção e convivência entre mãe e filho. Agora vamos para a Câmara!

Muito além da maternidade

Participar da II Conferência Nacional de Política para Mulheres foi um divisor de águas na minha vida. Sabe quando a gente abre os nossos horizontes e percebe que tem muito mais coisa acontecendo à nossa volta? Eu sempre tentei discutir assuntos relacionados à maternidade por aqui, transformar esse blog em um espaço que vai além do registro do nascimento e infância do Rafa e da Juju. Abrir a mente, ver outros pontos de vista, conhecer a diversidade que faz parte do nosso mundo. E, por mais que eu tenha contato diário com a discussão gênero/diversidade no meu trabalho, eu nunca tinha tido a oportunidade de ver de perto o que muitas mulheres, há décadas, vêm fazendo por todas nós.

Durante quatro dias, 3,5 mil mulheres estiveram reunidas em Brasília, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, avaliando o Plano Nacional de Políticas para Mulheres definido na I Conferência e discutindo as diretrizes da nova versão, que será implantada nos três últimos anos do Governo Lula. E aqui eu aproveito para abrir um parênteses e registrar que, no que diz respeito a esse assunto, esse governo deu passos largos e avançou de uma forma que nenhum outro havia feito. Mas vamos falar disso mais pra frente, só não queria que me jogassem pedras! ahahah

mic.jpgLogo na abertura do evento, na presença de vários ministros, do Lula e sua inseparável Marisa, as “companheiras” já receberam uma notícia que vai dar um empurrão e tanto nao combate à violência contra a mulher: a liberação de R$1 bi até 2010. E foi nessa hora que eu percebi que, naquele momento, ouvindo o presidente da república discursar e percebendo todo o movimento da platéia, eu estava vendo a história se construir. Vocês já pararam para pensar no caminho que muitas mulheres percorreram para que nós pudéssemos estar aqui hoje, tendo direito à livre expressão, discutindo a maternidade, trabalhando, escolhendo se queremos ou não ter filhos ou trabalhar fora?

Esse caminho ainda é muito longo – tem muita mulher que ainda sofre violência do marido, pais e irmãos,  não tem direito a escolher o que fazer com o próprio corpo, sofre discriminação no trabalho ou não possui as mesmas oportunidades que os homens – e é por isso que todas estavam reunidas ali. E foi por isso que parei pra pensar e me fiz uma pergunta que agora aproveito para fazer a vocês: o que nós estamos fazendo para contribuir? O quanto sabemos a respeito desse assunto que tanto nos afeta?

Confesso que, ao ver mães com seus filhos pendurados no colo, depois de viajar 20, 30 horas de ônibus para participar do evento, me senti na obrigação de estudar mais a respeito e provocar discussões sobre o tema aqui no blog. Às vezes nos pegamos discutindo assuntos como “ter ou não babá?”, “mãe melhor ou mãe pior?” e nos esquecemos do principal: como foi que chegamos até aqui e passamos a ter direito de escolha? Há menos de 40 anos isso era algo impossível para nós.

Ministra Nilcea Freire e euConversando com a Ceila, do Desabafo de Mãe, também tive mais uma porta aberta para levar o assunto adiante. E peço a vocês que participem, dêem a sua contribuição, mesmo que de forma simples, como trazendo uma notícia que tenha lido a respeito para comentarmos aqui. Que tal? Eu poderia ficar aqui por horas contando tudo o que vi nesse evento. Não posso falar muito mais a respeito, porque nem tenho conhecimento suficiente. Trabalho com pessoas que têm longo histórico nessa luta e tento aprender o máximo com elas. Acredito que muitas de vocês que passam por aqui têm muito a acrescentar nos comentários. Estou esperando!

Aproveito para terminar esse post sem início/meio/fim (são tantas idéias ao mesmo tempo aqui na minha cabeça…) com os pontos que mais me chamaram atenção e fotos da diversidade que pude registrar durante os dias que estive com a cabeça totalmente voltada para mim. Ou melhor, nós!

  • Amei “voltar” a ser jornalista, daquelas - sabe, Ju? - que corre de um lado pro outro com olhos e ouvidos atentos a tudo e prontas para o que der e vier. Entrevistei a Ministra Nilcéa Freire (aí em cima na foto comigo), e várias representantes de diferentes classes: índias, camponesas, negras, ciganas, idosas…
  • Ainda existe muita injustiça e preconceito em relação a mulheres. E isso se torna ainda pior quando é uma mulher negra, por exemplo. Lésbica e negra? Aí é que a coisa fica mais difícil ainda. Parei pra pensar como é difícil ser diferente, fazer as próprias escolhas e arcar com as conseqüências. Quero ensinar aos meus filhos que é bom haver diferenças e elas fazem parte da nossa vida.
  • Precisamos urgentemente deixar de ser tão preconceituosos e fazer pré-julgamentos. Eu me policio demais a respeito desse assunto e, depois da maternidade, passei a ser mais tolerante e evitar formar uma opinião depressa demais. A gente julga tão rápido, né? Tem sempre uma resposta pronta pra tudo. Eu faço muito isso ainda e pretendo acabar com esse hábito. O que é bom pra mim não é necessariamente bom para o outro. E vice-versa. Ponto final. Por que precisa ser tão difícil?
  • Vi nesses dias várias mulheres simples, algumas idosas, outras carregando bebês no colo ou nem sempre falando português corretamente. Em comum todas tinham o mesmo objetivo: exigir seus direitos na prática, sem ficar no blablabla. Quero aprender com elas.

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