Adoçando a vida

Ultimamente tenho pensado muito no que vale a pena nessa vida. Talvez porque tenho vivido esses três primeiros meses de 2010 em busca da minha principal resolução de ano novo: combinar família, lazer, profissão e realização com amor pelo que estou fazendo. Vontade de fazer melhor, daquele jeito que dá brilho nos olhos. De colocar em prática tudo o que eu estudei e aprendi até agora, aprender coisas novas. Manter as engrenagens funcionando. E, ao mesmo tempo, não deixar pra trás as coisas que dão cor e sabor à minha vida.

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O inexplicável

Uma característica bem marcante no Rafinha é a curiosidade. Ele está sempre atento a tudo que acontece ao seu redor e está sempre nos fazendo perguntas. Quer saber de tudo, o menino! De longe, seu maior interesse está nos idiomas e países. Desde muito pequeno ele pedia para ver DVDs em inglês, o que só aumentou depois que começou a ter aulas na escola. A partir daí, começou também a se interessar por espanhol e a querer saber que idiomas se fala em determinado lugar.

Acho que essa noção de que o mundo é muito maior do que a nossa casa e a escola começou quando começamos a explicar que ele tem primos, tios e bisa em Israel. Sempre falamos sobre o primo Idan (que ele conheceu quando ele veio ao Brasil com a Shiri), contamos que a prima Moran estava por aqui quando ele era bebezinho e me ajudou muito nas semanas que ficou em nossa casa de Brasília e mostramos fotos do Iarin, primo que – esperamos – em breve apareça pelo Brasil para ele conhecer. Falamos da tia Márcia, mãe do trio, explicamos que ela é irmã da Vovó Eliana. E, mais do que isso, sempre que possível o colocamos para falar com a safta (avó em hebraico) Tzila, a bisa tão querida que mora a quilometros e quilometros de distância.

Quando pequenino, ele não queria saber muito de conversas ao telefone. Agora, pra alegria da vovó, ele conversa com ela, canta músicas e, ciente de todo o seu charme, diz frases do tipo “eu te amo, vovó”. São lágrimas na certa do outro lado da linha. Juju também já entrou no ritmo e, via Embratel, encantou a safta cantando “parabéns pra você” no dia de seu aniversário. Mais lágrimas foram derramadas. De alegria, é claro!

De tanto ele me perguntar sobre a família de Israel, já peguei meu álbum de viagem e fiquei mostrando um por um, explicando quem é, o que faz. E, feliz da vida, o menino vive repetindo pra todo mundo que tem muitos primos (o preferido é  Iarin! ahahah) que moram em outro país. Dessa mesma vez, ele me perguntava sobre cada lugar que via na foto – Jerusalém, Tel Aviv, Yafo, Mar Morto, Paris, Londres, Vale do Loir - e quanto tempo de avião era preciso para chegar até lá. E dei asas à sua curiosidade, respondendo com detalhes, cada pergunta que ele fazia.

Acho bonita toda essa vontade de conhecer coisas novas, aprender e toda essa noção de mundo que o menino já tem. Prevejo muitas e muitas viagens juntas, se Deus quiser, com o meu pequeno explorador. Provavelmente, o primeiro lugar serão os Estados Unidos. Talvez, por influência da prima Amanda, que mora na California, e das fotos que ele sempre vê. No Natal, ao ver fotos dos primos (Amanda e Blake) escorregando na neve, ele perguntou “porque eu não fui? Eles não me chamaram?”. E lá fui eu lembrá-lo que eles moram em outro país, que é longe e temos que pegar avião por muitas horas para chegar até eles. Infelizmente. A resposta? Então vamos amanhã! Ah, Rafinha, se fosse assim tão fácil!

Ele já sabe que por lá se fala inglês e, vendo uma cena sobre a posse do Obama na próxima semana, viu uma bandeira americana e logo foi mostrando para o pai que era dos Estados Unidos. Assim, como gente grande. E, novamente, pediu para viajar para lá. Expliquei que a Juju ainda é muito pequena e que precisamos esperar ela crescer um pouco mais, talvez perto dos quatro anos. “Mas demora muito, mãe, deixa ela com a minha avó e vamos nós dois”. ahahaha Eu não disse que ele é esperto? Paciência, Rafinha. Tudo tem seu tempo. Ainda vamos explorar o mundo juntos, me aguarde!

Nessa mesma noite, em que estava assistindo à Globo News junto com a gente (será que vai ser jornalista também?) sem parar de falar, o pai pediu que ele fizesse silêncio quando começaram a falar da guerra na Faixa de Gaza. E ele não sossegou, até explicarmos que queríamos saber o que estava acontecendo perto da casa da vovó Tzila. Então ele se calou. Até ver uma bomba explodindo e se espantar: “explodiu, mãe! É uma bomba!”. E, em vez de trocar o canal, resolvemos explicar, mesmo que de uma maneira bem simplificada, o que está acontecendo.

- Outra bomba, mãe, porque tá explodindo?
- Porque os dois países estão em guerra. Um deles é Israel, onde mora a vovó Tzila.
- Mas porque eles estão bringando?
- Lembra que a mamãe sempre te fala que temos que aprender a dividir? Infelizmente esses dois países não aprenderam, então estão brigando por um pedaço de terra.
- Mas por que estão explodindo?
- Porque estão com raiva, Rafinha.
- E por que tá todo mundo no hospital?
- Porque eles se machucaram, mas vão ficar todos bem, tá?
- Até dentro de casa as bombas explodem?
- Não, filho. Lembra que a mamãe já explicou que dentro de casa estamos protegidos? As casas de lá são mágicas, nada acontece com quem está dentro delas.
- Mas e se uma bomba explodir perto da casa e derrubar ela?
- As casas são muito fortes, não caem nunca!
- E quando eles vão parar de brigar?
(…)
- Taí uma pergunta que eu queria saber responder, meu amor!

Pronta pra 2008

E o ano começou. Já estava mais do que na hora! De tempo em tempo, é preciso renovar as energias, ter a sensação de recomeço, refazer os planos, mudar de rumo. E é com esse espírito que entrei em 2008. Além das minhas boas e velhas resoluções de ano novo, o Dani se juntou a mim para traçarmos algumas metas conjuntas. Melhor assim, né? Aqui vão elas:

1 – Comprar uma câmera DSLR, investir no meu hobby e voltar a estudar fotografia. Uma válvula de escape cai muito bem na vida agitada que eu levo. Pretendo riscar esse item da lista muito em breve… ;)

2 – Levar a maternidade de uma forma mais leve. Ainda não sei a fórmula, até porque sempre fui do tipo que tenta se estressar o mínimo possível com as coisas. A experiência mostra que o segundo ano de vida de um bebê vai “melhorando” com o passar do tempo. Já me vejo com duas crianças em casa, tagarelando e nos enchendo de alegria!

3 – Mudar de apartamento. Decidimos que ainda não é a vez de comprar aqui no Rio, já que não temos tanta certeza assim se queremos morar por aqui por muito mais tempo. Então, vamos começar a procurar um novo lugar pra gente, mais claro e novinho, com espaço pra brincar e play. Quero voltar a curtir a casa, deixá-la com a nossa cara e poder voltar a receber os amigos, como sempre gostei.

4 – Viajar! Ai, como eu amo viajar! Esse ano minha meta é ir a dois novos lugares que nunca fui. Com ou sem as crianças. Quero colocar o pé na estrada, voltar a ter o gostinho de planejar, conhecer novas culturas ou simplesmente ficar de pernas para o ar (a quem eu quero enganar? rs)

5 – Trocar de carro. Mais espaço para a bagunça! E aviso logo aos pela-saco que costumam bater ponto por aqui que vou ignorar as gracinhas e “comentários sociais”, beleza? São planos. P-L-A-N-O-S. Já ouviu falar?

6 – Fazer menos coisas ao mesmo tempo. Ou pelo menos tentar. Quero ter mais espaço para o Dani e reservar tempo de qualidade para as crianças. E pra mim, é claro, mãe também é gente! rs

7 – Continuar firme e forte na meta de 2006 e emendar um livro no outro. Em 2007 a leitura me rendeu ótimos momentos! Fechei o ano com o instigante “A cura de Schopenhauer” e já estou pegada no “Travessuras da menina má”, do Mario Vargas Llosa. Sei que 2008 me reserva bons títulos…

8 – Curtir os meus filhos, sem tanta culpa ou obrigações. Dar a eles o melhor de mim, e não TUDO de mim. Ouvir a tagarelice do Rafa e vê-lo se tornar esse meninão que está se tornando. Observar o crescimento da Juju, começar a educá-la e ver os bons frutos que virão desse árduo trabalho.

Acho que foi tudo. Basicamente, quero ver a vida entrando nos trilhos de novo. Voltarmos a fazer as coisas que sempre gostamos, mesmo que de uma maneira diferente, adaptada para uma nova vida, agora com filhos. Deixar de ter essa sensação de “stand by” que toda mãe com filhos pequenos parece ter. Já, já não teremos mais bebezinhos pela casa. Então, que venha 2008 pra gente encarar juntos!

***

Fiquei devendo as fotos do Natal e do Reveillon, né? Não devo mais! rs

Tá na vez de quem?

“É que nem comida. Ele sempre pede mais. E então? Ele tá mal alimentado? Com as brincadeiras é a mesma coisa”. Foi com esse discurso brilhante do meu marido filósofo que nossa conversa via Skype terminou agora à noite. Ele tá em Brasília à trabalho desde ontem e só volta na quarta à noite, nosso aniversário casamento. O papo girou, é claro, em torno dos filhos. E dessa minha sensação que estou sempre devendo. E dos meus planos de fazer uma viagem de fim de semana a quatro. E da minha angústia em deixar todo mundo feliz. Idealizadora, eu? Nãão!

Ponderando de um lado, analisando de outro, deixando o racional falar mais alto algumas vezes e o emocional outras tantas, reparei que, nesse momento, estou dividida em quatro: eu, marido, filho 1 e filho 2. Todos têm necessidades diferentes, estão em fases diferentes, querem coisas diferentes. A única coisa em comum? Todos precisam querem da minha atenção.

Profundo demais só pra ir ali em Penedo e voltar? E aí que vocês se enganam… Esse é o atual retrato da minha vida! rs Eu e Dani estamos precisando MUITO descansar. Ele tá embalado nessa vida de mic(r)o empresário há quase quatro anos, sem férias ou feriados. Eu, nem preciso dizer. Aí entram as diferenças, que em breve hão de acabar, entre as idades do Rafa e da Juju. Junto com elas, a incompatibilidade de “agendas” das criancinhas. E a minha vontade de agradar a todos ao mesmo tempo.

Rafa vai fazer três anos, ganhou independência, sai de casa com a roupa do corpo. Nos acompanha a qualquer lugar sem dar trabalho, não precisa de uma rotina ultra-mega-definida. Basta um carrinho, um livro e um parquinho para fazerem a alegria do moleque. E comida, claro, ela nunca pode faltar. ;c)

Juju acabou de fazer um ano. Apesar do tamanho avantajado, culpa da mistura de polonês com português e ucraniano, é ainda um bebê, dos mais preguiçosos, diga-se de passagem. Tira looongas sonecas pela manhã e à tarde. Já está andando, o que, no quesito “curtição de passeios” já é uma vantagem. Come o que aparecer pela frente, não precisa mais de milhares de cacarecos atrás dela. Uma bolsa pequena, com duas ou três fraldas, chupeta, uma muda de roupa e olhe lá. Mas, precisa da sua rotina, se estressa com repetitivas mudanças de ambiente ou passeios prolongadíssimos. Tá me acompanhando? rs

Resumindo, atualmente minha vida é essa alternância de prioridade, se é que isso é possível. No fundo, no fundo, tenho a sensação que não dou atenção direito pra ninguém! ahahaha Quero curtir um fim de semana a sós com o Dani, mas também quero levar Rafa pra aproveitar as férias que se aproximam, sem deixar de lado a gorducha branquela que se satisfaz com um simples passeio à pracinha. Please, onde está aquele Gardenal que eu tinha deixado aqui debaixo do teclado? ;c)

A teleconferência com o marido acabou sem definição alguma. Ele disse pra eu ir conversar com o travesseiro. rs Mas, já devia saber que eu converso com o meu blog, não é? Pois bem, vou ali me deitar, aproveitando que a dupla dinâmica se entregou ao morfeu. Amanhã é um novo dia, 24 horas inteirinhas o pra eu me cobrar um pouco mais. ahahahaha

Quando acordar, quero ver um monte de recadinhos contando como vocês fazem pra (tentar) agradar a todos os filhos e todos os maridos. rs Entre as minhas opções para o final de semana estão 1) viajar só com Rafa e Dani; 2) ficarmos todos no Rio e fazermos um passeio de um dia pra algum lugar por perto; 3) mandar todos para a Sibéria e ficar com a casa em silêncio só pra mim; 4) fugir com o Dani e mandar a mesada das crianças via correio; 5) parar de pensar demais e deixar rolar. Essa última parece ser uma opção bem fácil para as mães… :cÞ

Convitinho do filhote tá prontinho, enviado por email para alguns convidados e impresso e envelopado, já dentro da mochila, pras tias mandarem pela agenda dos amiguinhos. O grande dia está chegando. Não sei quem tá mais ansioso por aqui…

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Depois de umas duas semanas sem inspiração, tô cheia de idéias na cabeça pra postar. Vou anotar nos rascunhos pra não esquecer. Segurem as pontas aí que o Clavulin tá começando a fazer efeito!